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Por Nádia Maria
nadiamaria@oestadorj.com.br
Colaboração de Cláudia Fonseca
claudiafonseca@oestadorj.com.br
??Passei a gostar mais de futebol desde que estamos juntos?, garante Aline Costa, 25 anos, e que há seis meses namora o ??peladeiro? e técnico de futebol Thiago Bonfim de 22. Ele, assim como muitos outros jovens de sua idade, não dispensa o encontro com os amigos no fim de semana pra jogar futebol. Ela diz que, como o esporte é importante para ele, esse interesse acabou aparecendo. O caso dela não é isolado. Muitas mulheres têm que aprender a lidar com o fato do companheiro não dispensar aquela partidinha com os amigos. O problema é quando conflitos começam a surgir por causa do gosto do namorado pela bola.
Mas é possível driblar esse problema. A psicóloga Rosângela Casseano acredita que é importante quando o casal reserva um tempo para atividades individuais. Buscar fazer tudo junto, pode trazer problemas no futuro. ??Relacionamentos baseados em dependência afetiva tendem a ser desgastados?, afirma a doutora. Segundo ela, isso acontece quando um tenta sempre agradar o outro, e acaba se anulando.
Não é o caso de Isabela Baroni, que namora há três anos com Guilherme Lana, e considera importante atividades separadas. ??Não se vive só em casal, as amizades e a família não mudam?, afirma. Enquanto o namorado está no jogo, ela continua sua rotina normalmente. O mesmo faz Aline, que acredita que o respeito à individualidade do outro é saudável para o par.
Rosângela comenta que a relação mais benéfica e produtiva para o casal são aquelas em que exista um respeito pelas diferenças. ??O amor verdadeiro é um amor leve, aceitando e colaborando com as escolhas do cônjuge?, diz. Para a terapeuta, a individualidade deve ser preservada para que o relacionamento possa ser uma união de interesses, mas com respeito às opções do outro.
Ela também atenta para o ciúme que pode surgir quando um não está com o outro, e deve ser controlado. ??O que nos torna especiais é a diferença gigantesca entre todos. Tentar transformar seu par em você é uma forma de aprisionamento. Provavelmente uma necessidade de controle da relação?, avalia. Segundo ela, quando uma das partes começa a se sentir invadida, o diálogo é primordial.
A visão deles
Aline e Thiago afirmam que nunca tiveram brigas por causa do futebol, mas o mesmo não aconteceu com Guilherme e Isabela. ??Nossas brigas ocorrem talvez por desconfiança, mas ela sabe que não tem motivos para isso?, completa. Isabela diz que esses desentendimentos foram coisas sem importância, e que sempre é convidada para assistir o namorado jogar.
Thiago Bonfim, mesmo trabalhando com futebol, conta que nunca presenciou discussões entre casais por causa do esporte. ??Nunca vi, mas conheço algumas histórias engraçadas?, diverte-se. Porém, ele acredita que a pelada funcione como válvula de escape para algumas pessoas. ??Dentro do campo, as pessoas se transformam e descobrimos personalidades antes não conhecidas?, relata.
O técnico acredita que a famosa pelada de fim de semana com os amigos é uma atividade importante para o sexo masculino. ??O homem precisa ter um tempo só com homens, falando coisas de homens, assim também como as mulheres. Creio que o futebol seja uma dessas oportunidades?, conta. Ele confessa que não levaria Aline para um jogo. ??Não é lugar de mulher!?, dispara.
Guilherme Lana diz que sente saudades de Isabela sempre que não estão perto, mas na hora do futebol, afirma pensar em outra coisa. ??Em campo, no meio da pelada, só penso em não perder o jogo?, relata. Momentos como esse podem ser fundamentais para manter uma relação saudável.