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Notcia Postada em 23/04/2009 - 01:13

Internet, Intimidade

Sexting: uma brincadeira de verdade

Nova mania adolescente de distribuição de imagens íntimas via celular e internet alimenta a onda das vinganças digitais

Banco de Imagem

 Sexting é o fenômeno de fotografar ou filmar a si próprio em momentos de intimidade e transmitir as imagens por celular. Começou nos Estados Unidos nos trocas-troca de mensagens de texto via torpedo nas escolas, e hoje já tomou proporções gigantescas através da internet. Brincadeira como essas já levaram adultos ao constrangimento no ambiente familiar e profissionais, e adolescentes ao suicídio, por terem suas imagens divulgadas por seus ex em celulares e redes sociais de relacionamentos.


Segundo a pesquisa realizada pela ONG National Campaign to Prevent Teen and Unplanned Pregnancy (Campanha Nacional para Prevenção dos Jovens e Gravidez Não Planejada) no ano passado, um em cada cinco jovens norte-americanos com idade entre 13 e 19 anos já enviou pelo telefone ou pela rede algum tipo de foto ou vídeo de si mesmo nu ou seminu. No Brasil não existem dados oficiais sobre o efeito Sexting, mas é possível encontrar, principalmente no Orkut, vários links associados a imagens íntimas de casais que não foram autorizadas por algum deles ir ao ar.


De acordo com a psicóloga americana Susan Lipkins, que conduziu um estudo com 300 jovens para entender esse fenômeno, as meninas que se fotografam nuas na verdade estão querendo promover sua popularidade entre as outras garotas do grupo. Na pesquisa ainda consta que ao realizarem o envio das imagens para outras pessoas, essas mulheres estão testando o seu ??valor mercadológico? entre o público masculino.


O espírito vingativo, principalmente dos ex-namorados, é só mais um adendo nessa louca mania adolescente. Essa prática se tornou popular quando um ex-namorado da Paris Hilton colocou na internet o vídeo em que os dois faziam sexo. A herdeira dos Hilton só conseguiu fama após o ocorrido, mas para não é para todos que o final da história é tão glamouroso.


Um bom exemplo foi o caso da jornalista paranaense Rose Leonel, 36, que em 2006 encontrou centenas de fotos e um vídeo com cenas íntimas feitas por um ex-namorado espalhadas na rede, junto com os seus números de telefone. Ela perdeu o emprego e recebia diariamente ligações internacionais perguntando quanto ela cobrava pelos ??serviços? de prostituição. ??Os ataques ocorreram por mais de um ano e ele ainda colocou as imagens em sites de pornografia, no Brasil e no exterior. Movi um processo criminal contra ele e o técnico de informática que o ajudou. Na época me pagaram ínfimos R$ 3 mil?, relembra.


Para a psicóloga Sheila R. Cardão, os jovens de hoje não conseguem separar a vida real da virtual, na maioria das vezes achando que uma nunca irá cruzar com a outra. Um grande engano. Diz que é importante dar valor a própria imagem e evitar ser filmado na intimidade, pois ninguém nunca terá a certeza de quem, ou quando, poderá ter acesso ao seu computador pessoal. ??Os jovens de hoje em dia devem aprender a separar o certo do errado e saber que o que ele faz na vida real refletirá na virtual, e vice-versa?, afirma.


Segundo o professor Plínio Vilela, doutor em engenharia de software da Unimep, uma vez que a imagem ou vídeo tenha sido postado na Internet, não existe forma de ser retirado. Essa afirmação vem do princípio que, mesmo que a vítima consiga apagar a postagem original certamente centenas de cópias já terão sido feitas e distribuídas de outras maneiras. ??Acredito que uma vez ocorrido o fato o melhor a fazer é explicar a situação aos familiares e contar com a compreensão deles. Desta forma contribui-se para reduzir as chances de novas ocorrências do fato, pelo menos dentro da mesma família?, cita o professor.


Há pouco menos de dois meses a carioca G.A., 23, teve suas fotos de lingerie, tiradas em uma brincadeira com as amigas na adolescência, roubadas do seu computador pelo ex-namorado. Ele, por não aceitar o rompimento, publicou as fotos em um site e distribuiu o link via e-mail para os amigos do trabalho dela. Teve vergonha sair de casa. Em pânico, ela só pensava em retirar as imagens do ar. ??Senti minha vida exposta, como se fosse uma celebridade. Perdi minha privacidade. Foi horrível. Ainda me culpo por ter tirado as fotos, mas aprendi que hoje os homens têm que me aceitar pelo que sou. Para os próximos relacionamentos aprendi que a intimidade deve ficar só na privacidade?, relembra.


Vigilância familiar


Da pesquisa realizada pela ONG americana ficou o alerta para que os jovens entendam que as imagens enviadas pela internet ou pelo celular não são anônimas, por isso, é sempre bom os pais ficarem de olho no conteúdo que os filhos andam visitando na Internet. Visitar regularmente os perfis públicos no Orkut, Facebook ou similares não é sinal de autoritarismo, mas sim de precaução, assim o jovem saberá que existe um limite que não pode ser ultrapassado.


Para os adultos fica a dica do professor Plínio: ??Hoje em dia a maioria das empresas avaliam o perfil dos candidatos às vagas tanto nos sites de relacionamento como em blogs pessoais. Lembre-se de que quando publicamos algo na Internet não temos o controle sobre quem vai ler ou copiar o que publicamos. Portanto seja discreto, evite os exageros e detalhes muito pessoal. E não deixe que ninguém, por qualquer motivo, fotografe ou filme sua intimidade. Se o momento é importante o suficiente para ser lembrado ele deve ficar guardado em nossa memória?, finaliza.


Processos judiciais por difamação na internet estão cada vez mais frequentes, apesar do Brasil ainda não ter uma legislação vigente sobre esse tipo de crime. De acordo com o Dr. Marcel Leonardi, especialista em Direito Eletrônico, a maior parte das vítimas não leva o problema a juízo por medo ou vergonha. O caso de Rose ainda está em aberto com pedido de recorrência, ela e seu advogado, hoje pedem uma indenização de R$ 500 mil pelos danos morais que foram lhe ocasionado. Por esse motivo, a dica dos especialistas fica para todos, intimidade deve permanecer na intimidade.


 

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Sexta-Feira, 03 de Setembro de 2010

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