Comportamento

Notícia Postada em 01/02/2010 - 17:04

Cuidados ao falar sobre divórcio com as crianças fazem toda a diferença

Especialistas alertam que separação dos pais não precisa ser um evento traumático na vida dos filhos

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Comprovando a teoria de que a vida real é bem diferente dos contos de fada, cresce no mundo o número de casais que não são felizes para sempre. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil registrou no último ano sua maior taxa de divórcios. Para cada quatro casamentos, uma dissolução foi feita. E se o processo de separação já é complicado por si só, há de se ter ainda mais atenção quando há crianças envolvidas, já que a forma como se lida e explica a situação para os pequenos, pode ser um diferencial tanto no entendimento, quanto na aceitação deles.

Quando o casamento de Alice Bernardino Figueira, de 55 anos chegou ao fim, seus filhos, que tinham 11 e 13 anos, já estavam preparados. “Um casamento não acaba da noite para o dia, há um tempo de desgaste, e eu sempre conversei muito com meus filhos. Eles mesmos começaram a observar que quando o pai chegava, o clima mudava”, revela Alice, que não contou com o apoio do então marido para conversar com os filhos sobre a separação. “Falei sozinha para as crianças que ele se mudaria. Mostrei-me alegre, para eles verem que estava tudo bem, e disse que eu e o pai deles não estávamos mais felizes vivendo juntos. Também frisei que estar sem o pai em casa não significava perder o pai. Que o casamento havia acabado, mas seríamos os pais deles para sempre”, enfatiza.

Para a psicóloga Elaine Savi, o divórcio dos pais diz respeito diretamente à vida do filho, e por isso não há como deixá-lo de fora dessa decisão. “A conversa com a criança deve ser coerente com a sua idade e capacidade de compreensão. Não há razão para se partilhar com elas detalhes da intimidade do casal, por isso as explicações para o que está acontecendo devem respeitar alguns limites. É importante também ressaltar que a criança não deve ser colocada no lugar de juiz da separação. Ela é filha de ambos e isso deve ser respeitado”, diz a especialista.

Até onde e o que os filhos devem saber?

Às vezes é difícil impedir que as causas da separação não interfiram no relacionamento da criança com os pais, por isso deve-se “filtrar” o acesso a informações, que só dizem respeito ao casal. Carina Bibiano Braga, de 29 anos, contou de forma tranquila para a filha, de sete, que estava se separando, mas como a criança presenciou a conversa dos pais, já estava ciente da separação. “Contei com cautela, mas ela mesma identificou o erro do pai e entendeu por si só, porque estava ciente de que ele havia feito uma coisa errada”, declara Carina, confessando que após o acontecimento, a filha começou a agir friamente com o pai.

“Fazer uma criança escolher entre o pai ou a mãe, ou exigir que ela decida quem tem razão é cruel e prejudicial ao seu desenvolvimento, pois gera muita angústia e culpa”, alerta a psicóloga, declarando ser obrigação dos pais, apesar de qualquer sofrimento, proteger os filhos, pois são eles os adultos. Além disso, a especialista frisa que os progenitores devem repetir quantas vezes forem necessárias, que as crianças não são as responsáveis pela separação, além de jamais usá-las para atingir o outro. Elaine Savi afirma ainda, que o mais importante é assegurar aos filhos que a decisão da separação nada tem a ver com eles e deixar claro que o divórcio é entre os adultos; a criança manterá o relacionamento com a mãe e com o pai.

Não precisa ser o fim do mundo

Não há como negar que o divórcio é um momento delicado, mas prestando-se atenção nas próprias atitudes, os filhos não precisam registrar esse, como um marco ruim em suas vidas. “Proteger a criança numa situação de divórcio não é uma tarefa simples, mas é importante ficar atento aos sentimentos da criança e permitir que ela possa expressá-los”, diz Elaine, complementando que se os pais têm uma relação amorosa com seus filhos e uma boa relação com a vida, tendem a reconstruí-la, fazendo com que o evento não se torne traumático. “A separação dos pais não é algo por si só bom ou ruim. Ela é aquilo que as pessoas fazem dela. Ou seja, é a forma como os envolvidos lidam com ela, que vai determinar se essa será uma situação traumática ou o início de uma vida melhor”, conclui.


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