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Notícia Postada em 01/02/2010 - 11:31

E a China, como vai?

Banco de Imagens

Mesmo que haja um colapso gigantesco de ativos financeiros e/ou imobiliários na China, isso não ira afetar muito as instituições financeiras internacionais, por que: (A) esses dois mercados chineses ainda estão muito longe de uma integração com o sistema financeiro global, (B) não existe nenhuma quantidade significativa de “derivativos de risco” entre os bancos chineses e os grandes bancos ocidentais, (C) a própria moeda chinesa por não ser livremente cambiável passa a ser mais um fator limitativo de riscos.


Outro ponto a ser considerado é o medo (legítimo) que os dirigentes chineses possuem de taxas de crescimento de seu PIB inferiores a 8%, pois existem 1.3 bilhões de pessoas que necessitam um mínimo (e bota mínimo nisso) de integração socioeconômica. Por isso o governo chinês não medirá esforços em irrigar a economia com muita liquidez sempre que as taxas de crescimento caírem abaixo de 8%.


Exatamente nesse ponto é que as minhas preocupações passam a existir, posto que a exuberância chinesa ao injetar capital na sua economia, não o faz de modo eficaz e sabemos que uma abundante e péssima alocação de capital, pode no longo prazo (5/10 anos) levar uma economia a uma forte crise, e como essa economia é a chinesa, ai sim as conseqüências poderão ser rapidamente globalizadas.


Um estudo da Pivot Capital Hedge Funds dos EUA, estimou que cada USD$1,50 de credito/investimento no ano 2000 gerava um acréscimo de USD1,00 no produto, em 2009 essa relação se alterou para USD$7,00 de credito/investimento para gerar o mesmo acréscimo de USD1,00. Esse resultado é assustador, pois mostra uma incrível ineficácia no uso do crédito/investimento e indica disfunções em tudo: infra-estrutura, cadeia de suprimentos e mais ainda no estabelecimento de prioridades para aplicação de novos recursos financeiros.


No momento atual os chineses se preocupam em enxugar liquidez através de limitações à concessão de novos créditos e de aumentos pontuais no compulsório dos bancos, por temerem um surto inflacionário, o qual eu creio que não deverá ocorrer, pois o item alimentação que aumentou muito no final de 2009, foi devido a um inverno impiedoso, o qual levou Pequim a registrar um recorde de baixa temperatura nos últimos 50 anos, e no país todo, os perecíveis alimentares sentiram as consequências.


Onde de fato devemos prestar atenção é no esforço concentrado que a China vem fazendo para fortalecer o US Dólar, não só porque seus USD2.4 trilhões de reserva assim o exigem, já que não é possível mexer na composição dessa reserva sem alterar a cotação mundial do US Dólar, mas principalmente porque ao fortalecer o Dólar, esse simples movimento retira recursos financeiros de papéis com maior risco (como o dos países emergentes por exemplo), mas sobretudo por que retira recursos dos investimentos em “commodities”, e isso é muito sério para os chineses, já que eles são gigantescos consumidores de "commodities" (alo, alo Brasil) e portanto se estes ficarem mais baratos, mais barato fica o resultado final no lado exportador chinês, e não esqueçamos que “commodities” mais baratos também ajudam a reduzir os preços internos.


Mas a análise não termina aqui, pois não posso deixar de lado a observação que o consumo das famílias chinesas fica ao redor de 35% do produto, portanto os restantes 65% ficam essencialmente nas mãos do governo. Este é um quadro incapaz de mudar nos próximos 5 a 10 anos, pois não se consegue criar um mercado consumidor interno tão rapidamente, e assim sendo só resta ao governo chinês continuar com o modelo exportador custe o que custar.


Esse custo, no entanto, pode se tornar amargo (no nível interno) se a ineficácia na utilização de novos recursos se mantiver, porém para os países que importam da China isso representa um risco maior já que o modelo exportador chinês exige escoamento a qualquer preço, podendo com isso levantar grandes barreiras protecionistas (cada vez maiores) e assim ativar um atrito comercial de grandes proporções, onde todos perdem. Os chineses hoje me parecem vitimas do seu velho ditado: “quem monta num tigre para se transportar, só salta quando o tigre quiser”.


Um abraço.


 

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