Notícia Postada em 03/02/2010 - 17:37
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Durante a gravidez, a mulher passa por alterações físicas, psíquicas e emocionais. É um novo período que se inicia em sua vida, pois após o parto, ela tem que dedicar seu tempo cuidando do filho, além de ser uma grande responsabilidade. Muitas mulheres neste período começam a se sentir incapazes de cuidar do filho, inseguras, tristes, irritadas e culpadas. Estes sintomas podem ser indicativos de depressão pós-parto.
Segundo a psicóloga e sexóloga Sheila Reis, a depressão pós-parto se manifesta de maneiras diversas e com intensidade variável. Inicia-se nos seis meses após o parto, gera uma reação de incapacidade dessa mãe em estabelecer vínculo afetivo e seguro com seu filho. Alguns sintomas são tristeza prolongada, perda de autoestima e de motivação para a vida. E em casos muito graves, algumas mulheres apresentam tendência ao abandono do filho, podendo chegar a atitudes drásticas contra sua própria vida e a do bebê.
Após o parto, é normal as mulheres sentirem algum tipo de alteração hormonal, pois a sensação de responsabilidade, as mudanças físicas, emocionais e sua maneira de pensar são alteradas no decorrer da gestação. O que irá definir se a mulher está passando por um quadro depressivo, será a intensidade dos sintomas, já que existem diferentes quadros da doença.
De acordo com Sheila, a gravidez é uma fase marcada pela expectativa das grandes transformações com estado de tensão pelo o que está por vir, além de mudanças nos aspectos biológicos; psicológicos e sociais. A criança pode ser uma ameaça à relação que possui um frágil equilíbrio. “Ter um filho não envolve apenas uma decisão de momento, mas um compromisso para o resto da vida. A maternidade pode ser uma nova etapa de crescimento ou um afundar-se em antigas mazelas não resolvidas”, explica psicóloga.
Tratamento e cuidados
A psicóloga e sexóloga ressalta a importância do diagnóstico precoce, quanto ao tipo de distúrbio emocional. Quando a depressão é diagnosticada de maneira correta, dependendo do quadro de depressão pós-parto, um acompanhamento multidisciplinar (psiquiátrico, pediátrico e psicológico) se faz necessário. O uso de medicamentos, em conjunto com acompanhamento psicológico pode ser feito, e dependendo da intensidade da depressão, até mesmo uma internação deve ser considerada.
É importante permitir que a mulher possa resolver seus conflitos e passar para a família, maior tranquilidade nas atitudes a serem seguidas e para restabelecer vínculos afetivos dessa mãe com o filho.
Deise Alves, 35, economista, após ter sua filha há 2 anos, começou a sentir-se triste, ansiosa e que não era capaz de cuidar da criança. “Fui procurar um médico e ele me explicou que estava tendo sintomas de depressão pós-parto. Tive que fazer terapia e tomar medicamento”, conta.
Durante a gravidez, a mulher descobrirá e aprenderá seu jeito de ser mãe e também começará a observar seu companheiro, na sua nova condição de pai. Já para o homem, surge a preocupação de se responsabilizar pelo filho que vai nascer, com a função de protetor.
De acordo com a especialista, o pré-natal é um espaço para a prevenção de uma depressão pós-parto. É importante que os médicos além de orientarem as gestantes com o desenvolvimento do bebê, as doenças e os problemas, possam abrir espaço para elas se expressarem em relação aos seus medos, receios e ansiedades. A existência dessa relação mais humana entre médico-gestante facilitará a prevenção caso um quadro de depressão já esteja instalada, além de evitar o desenvolvimento de uma.