Notícia Postada em 04/02/2010 - 11:16
Banco de imagens
A cultura ocidental tem como características marcantes a valorização do corpo, da juventude e da beleza física. Esses aspectos são evidenciados em todos os âmbitos da sociedade e certas vezes chegam a ser um critério para a aceitação social. Diante dessa cultura, envelhecer se torna algo temeroso, que deve ser adiado o máximo possível. Entretanto, como todo processo natural, envelhecer é inevitável e é essa certeza que gera o medo em muitas pessoas.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil vem enfrentando desde o ano 2000, um processo de envelhecimento. A estimativa é que em 2025, cerca de 15% da população total seja de idosos. Esse número corresponde a 30 milhões de pessoas na terceira idade.
De acordo com a psicanalista Maraísa Abrahão, nossa cultura não enxerga a beleza que existe na maturidade e não dá espaço para as ideias vivenciadas pelos mais velhos. “É isso que gera um desejo de juventude eterna”, afirma. Segundo ela, existem possibilidades de encantamento em todas as fases da vida, no entanto, algumas pessoas se recusam a aceitar a situação. “Ouvindo essas pessoas, percebemos que há realmente um ‘medo de perda’, medo de perder a juventude, a beleza, o charme, o poder de conquistar”, diz Maraísa.
Para o taxista Rui Eurides, o sinal de que ele estava envelhecendo foi dado quando se aposentou, há cinco anos. Em meio ao caos do trânsito de São Paulo, Rui imaginava que a aposentadoria fosse diferente. “Achei que não fosse perder o interesse pelas coisas como agora”, revela. Ele acrescenta que em relação à família, sente que perdeu seu valor. “Deixei de ser importante”, diz.
Hoje aos 60 anos, a rotina do aposentado é caminhar algumas vezes na semana, jogar bocha ou dominó e navegar na internet. Mas o maior desejo de Rui é voltar a trabalhar. “Quero voltar pra me sentir melhor, ganhar mais dinheiro e voltar a ser importante”, conta.
Segundo Maraísa, é possível analisar o medo de envelhecer como uma fantasia de que sem um corpo perfeito, sem um charme diário, não é possível conquistar o que é bom na vida.
A melhor idade
Seja pelo temor de ficar “velho” ou por julgar estar mais “próximo” da morte, aqueles que possuem o medo do envelhecimento podem encontrar alternativas que os façam aceitar a maturidade e lidar com ela de uma forma prazerosa. Aos 82 anos, João José Luiz, enfrenta o envelhecimento como uma oportunidade para realizar seus sonhos.
Nascido em Abaeté, na região central de Minas Gerais, João foi para Belo Horizonte trabalhar como alfaiate e depois, como mestre de obras, profissão que o ajudou a educar e sustentar os seis filhos.
Com a chegada da aposentadoria, João começou a realizar seu sonho. “Com os filhos criados e formados, comecei a dedicar meu tempo às coisas que eu gosto de fazer”, diz. João estudou e concluiu o ensino fundamental em 2006 e, em 2008, fez o EJA (Educação para Jovens e Adultos) concluindo também o ensino médio. No ano passado ele ingressou em uma faculdade no curso de Arquitetura e Urbanismo. “Sempre gostei de estudar, desde pequeno, sempre fui curioso”, revela. Conhecido como um aluno dedicado, querido pelos colegas e professores, a dificuldade que João enfrenta pela idade é subir os três lances de escada do prédio do curso. “Mas eles me deram a chave do elevador”, conta.