Ciência e Saúde

Notícia Postada em 05/02/2010 - 16:55

Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura do câncer de mama

São esperados 49.400 novos casos em 2010 no Brasil

Banco de imagens

O câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais frequente no mundo, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Este é o mais comum entre as mulheres, respondendo por 22% dos casos novos nesse grupo. O INCA informa que são esperados 49.400 novos casos em 2010 no Brasil, com risco estimado de 49 casos a cada 100 mil mulheres.

Por na maioria dos casos a doença ser diagnosticada em estágios avançados, o câncer de mama tem sido a principal causa de morte entre as mulheres brasileiras, segundo o instituto. “Embora seja considerado um câncer de bom prognóstico, trata-se da maior causa de morte entre as mulheres brasileiras, principalmente na faixa entre 40 e 69 anos, com mais de 11 mil mortes/ano (2007)”, diz relatório.

O aumento na incidência de câncer ocorre em todo o mundo. De acordo com Maurício Magalhães Costa, chefe do setor de Oncologia Ginecológica do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, as causas para este fenômeno são inúmeras, desde fatores ambientais até mudanças culturais. “Câncer de mama é uma doença de origem multifatorial. Estão envolvidos a predisposição genética, estilo de vida e fatores ambientais”, explica.

Identificando o perigo

Os sintomas da doença mais conhecidos são os nódulos nas mamas ou axilas. Porém outras características também podem ser observadas, como alterações na cor da pele que recobre a mama. “A presença de derrame papilar sanguinolento e prurido nos mamilos também deve ser valorizada”, alerta Maurício.

O histórico familiar é um fator importante de risco para o câncer. O oncologista explica que já foram identificados alguns genes associados ao câncer hereditário. “Existe uma maior incidência de câncer de mama em mulheres com parentes de primeiro e segundo grau que tenham tido câncer de mama”, ressalta. Mastologista há 25 anos, Dr. Maurício diz que apesar de aparecer a cada dia um maior número de casos em mulheres mais jovens, a idade também pode ser um fator de preocupação. “O risco aumenta com a idade, sendo maior ente 50 e 70 anos”, completa.

Diagnóstico precoce

Segundo o médico a melhor forma de diminuir a mortalidade devido à doença é o estimulo ao diagnóstico precoce, que em casos iniciais pode ter taxas superiores a 90%. “A detecção precoce permite tratamentos mais conservadores (preservação da mama) e também maiores taxas de cura”, explica.

Exame clínico da mama e a mamografia são as formas mais eficazes para a detecção precoce. “Os métodos de imagem mamografia, ultra-sonografia e ressonância magnética possibilitam diagnósticos cada vez mais precoces e consequentemente melhores resultados com maiores chances de cura”, frisa.

Mãos à obra

Com mais de 300 palestras, Tania Mary Gomez, presidente do Instituto Humanista de Desenvolvimento Social, procura orientar as pessoas que passaram pelo doloroso processo de câncer de mama e ao mesmo tempo conscientizar as mulheres do possível problema. Tânia, que descobriu a doença em fevereiro de 2001, sabe como essa fase é difícil. “Foi a sensação de fundo do poço, não fugi à regra. No começo não acreditava que estava acontecendo comigo, pois sempre zelei pela minha saúde”, diz. Tania Mary diz que a família e os amigos são muito importantes nesse momento. “Os amigos, os vizinhos, todos precisam entrar nesta ajuda, este é um remédio eficaz para superar”, aconselha.

Lembrando que o valor da vida está em cada dia, Tania diz que aprendeu que cada pessoa tem uma razão especial para viver. “Aprendi que na vida devo fazer a diferença, deixar marcar, como estou fazendo com o projeto Chaveiro da Vida”,  ressalta. Como ex-paciente de câncer de mama, Tania acredita que as palestras de alerta e prevenção que ministra podem ajudar muita gente através da informação. “O diagnóstico precoce salvou a minha vida”, completa.

O projeto “Chaveiro da Vida – Prevenção ao Alcance das Mãos” procura passar esperança para quem está passando pela doença e ao mesmo tempo tenta alertar para um diagnóstico precoce. “Cada pessoa tem o dever de zelar pela sua saúde, mas se acometida deverá ter o direito de tratamento digno e de qualidade”, enfatiza. O projeto funciona através de oficinas de linha construtivista. Assim, cada participante constrói um chaveiro didaticamente, no qual cada peça representa um símbolo da luta. “O objetivo é que ao tocar o Chaveiro da Vida este sirva de alerta de prevenção e cuidados com a sua saúde”, explica Tânia.

Restabelecer a vida é questão de escolha

Neila Maria, farmacêutica e bioquímica, após extrair alguns nódulos benignos das mamas, descobriu aos 42 anos que estava com câncer. Ela conta, que depois de mais de cinco anos de tratamento e da ajuda da família, aprendeu muito nesse processo. “Aprendi que a chave do viver bem, de se ter uma vida saudável, está nas coisas descomplicadas, simples, com pessoas de caráter”, diz.

Agora Neila procura ajudar as pessoas que passaram pelo mesmo problema através do Espaço da Mama e afirma que se sente muito bem assim. “Hoje me sinto mais viva e atenta à vida do que antes de adoecer”, declara.

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Sexta-Feira, 03 de Setembro de 2010

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