Notícia Postada em 07/03/2010 - 16:49
Divulgação
Não vai muito bem não. Os fundamentos da própria União deixam-na bastante vulnerável em tempos de crise. A União foi criada tendo como base um Banco Central Europeu que se encarrega da política monetária e cambial, deixando aos países membros só o instrumento da política fiscal. Ao mesmo tempo não foi criada uma Tesouraria Central, o que deixa o BCE sem uma “caixa” de onde tirar recursos durante as crises e com isso, impedindo que os Tesouros dos países membros tenham a liberdade e a flexibilidade necessária para agir num período difícil como o atual.
A Grécia se vê hoje com essa espécie de “gesso”, onde ela não pode usar facilidades de liquidez para mitigar a curto prazo sua crise e não pode também usar uma desvalorização cambial para estimular suas exportações. Esses dois instrumentos pertencem ao BCE, e assim sendo à Grecia sós resta a política fiscal, ou seja aumentar a arrecadação e reduzir os gastos, certamente jogando o pais numa recessão corretiva muito feia.
Já existem hoje dentro da UE crescentes desequilibrios nas contas correntes dos países membros, onde em especial as diferentes balanças comerciais apresentam significativos desníveis. Esta conjuntura teve e tem sua raiz na capacidade (ou não) dos países se tornarem mais aparelhados e mais competentes para nacionalmente competirem no mercado global. A maioria dos países europeus adotou nas duas ultimas décadas políticas de proteção social às suas respectivas forcas de trabalho, resultando assim num acréscimo nada desprezível no agregado final da hora trabalhada.
Uns poucos países como, sobretudo a Alemanha e em menor escala a Holanda, optaram por contratos sociais bem menos generosos e colocando a sua ênfase nacional na permanência do emprego em vez de no nível salarial e de proteção social. Só com essa opção as diferenças de competitividade se alargaram muito nos últimos dez anos, e se adicionarmos a esse quadro o investimento feito pela Alemanha e Holanda, em novas tecnologias junto com pesquisa e desenvolvimento de bens e produtos, teremos uma diferença enorme em termos de competitividade entre esses dois últimos países e todos os outros. Num período de crise grave como o atual os países mais competitivos têm mais resiliência que os demais.
O competente e renovador diretor-geral do FMI, o Sr. Dominique Strauss Kahn, assinalou em uma recente entrevista que: “o grande problema da UE foi de não ter sido capaz de tornar a economia do bloco (como um todo) mais competitiva no que tange à pesquisa e inovação”. O diretor-geral tem toda razão, pois com só uns poucos países europeus agindo nessas políticas, os demais ficaram dependentes de financiamento externo para operarem algum crescimento interno, e com isso contraíram dividas as quais se tornaram hoje difíceis de serem pagas.
Nesse caso encontramos Portugal e Espanha na Zona do Euro, e Romenia, Hungria, Letonia e Ukrania no resto da Europa. Todos com elevada exposição no mercado financeiro internacional e com problemas na sua conta corrente. Isto se torna ainda mais critico no momento atual, posto que os bancos internacionais tem uma exposição descomunal de quase US$ 3,5 Trilhões junto ao grupo de países europeus com maior vulnerabilidade fiscal. Alem disso esses mesmos bancos internacionais podem ter até uns US$ 2 Trilhões em ativos tóxicos ainda não contabilizados, o que vai adicionando barreiras a capacidade de financiar uma saída “menos amarga” para países em maiores dificuldades.
Mais uma vez o importante é não perder o foco na saída dessa crise, para isso creio que o nosso bom povo do interior oferece uma modesta sugestão oriunda da tradicional sabedoria popular ao afirmar que “prudência e caldo de galinha nunca mataram ninguém”. Um abraço.
Quinta-Feira, 09 de Setembro de 2010