Notícia Postada em 08/03/2010 - 16:53
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Ao longo do crescimento das crianças, são diversos os fatores que os pais devem ficar atentos. O desinteresse na escola é um deles. Por isso, um olhar mais cauteloso, paciência, além de conversas com o filho, e muitas vezes até com o professor, podem proporcionar pistas para entender o que está acontecendo, e a partir daí criar soluções para o problema.
A empresária Juliana C., de 32 anos, conta que de um dia para o outro, o filho Lucas, de 11 anos, passou a não querer mais ler. “Ele não falava o porquê, só reclamava muito. Fazer os deveres da escola se tornou um suplício, e olha que ele sempre foi bom aluno”, revela. Juliana, depois de muito se questionar, e forçar conversas com o filho, descobriu que ele sentia dores de cabeça quando começava a ler. “Dei graças a Deus de não ter deixado ele em paz e ter conversado muito. Descobrir que o desinteresse era problema na visão foi um alívio, porque foi facilmente resolvido”, afirma.
A oftalmologista Renata Rianelle Bloise, explica que a baixa visual é uma das principais causas de dificuldade de aprendizagem na infância. “Pais e professores devem estar atentos aos sinais e sintomas de baixa visual observados na infância. São eles: dores de cabeça, olhos lacrimejando, inclinação da cabeça, piscar contínuo dos olhos, estrabismo, desconforto ou franzimento da testa”, enumera a especialista. Renata afirma que em casos mais graves e precoces, a criança pode apresentar dificuldade para fixar e acompanhar objetos, tropeçar e cair com maior frequência e sentir necessidade de aproximação dos objetos a fim de uma melhor observação dos mesmos.
Lentidão na leitura pode não ser preguiça
Dificuldades com a linguagem, a escrita, a ortografia, além de lentidão na aprendizagem da leitura, são alguns elementos que também podem levar a um quadro de desconforto na criança. Ao contrário do que se possa pensar, esses exemplos não caracterizam uma má alfabetização, ou um aluno desatento. Em muitos casos, são sintomas de um distúrbio ou transtorno de aprendizagem, chamado de dislexia.
A dislexia é uma condição hereditária com alterações genéticas. Pesquisas realizadas em vários países mostram que entre 5% e 17% da população mundial é disléxica. A fonoaudióloga Luzia Barbosa alerta que é importante ficar atento se uma criança, com inteligência normal, tem um desempenho relacionado com a aprendizagem da leitura e de escrita, abaixo do que seria esperado para ela. “Quando estes sinais são notados, é aconselhável procurar ajuda profissional para que o problema não se arraste, dificultando a vida escolar da criança e gerando abalos na sua auto-estima”, aconselha.
Atenção de pais e professores é fundamental
Pais e professores devem estar sempre atentos para mudanças de comportamento da criança, principalmente se elas forem repentinas. O quanto antes descobrirem o que está causando o desinteresse, mas fácil será para corrigir. A mãe de Lucas concorda. “Os pais sempre sabem quando tem algo diferente acontecendo com os filhos. Nós só não podemos ignorar isso. É muito fácil julgar o desinteresse na escola como preguiça, mas se o filho nunca foi assim, é algo a se considerar”, opina.
Quinta-Feira, 09 de Setembro de 2010