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Notícia Postada em 26/05/2010 - 16:08

Estações de trens e metrô poderão ter bibliotecas

Proposta apresentada na Alerj busca efetivar política de formação de leitores no Estado do Rio

Divulgação

O acesso ao livro não será mais um entrave para a população fluminense criar o hábito da leitura. A proposta da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) é que todas as estações de trens e metrôs tenham bibliotecas e  emprestem livros aos passageiros que transitam diariamente a caminho do trabalho. O objetivo é implantar uma política de formação de leitores e minimizar “os gargalos da chamada Economia do Texto”. O projeto ainda não está em vigor ou tem data para começar, mas a ideia está sendo desenvolvida.

No dia 7 de maio houve uma audiência pública na Alerj para debater o tema. O presidente da Comissão de Cultura da Alerj, deputado Alessandro Molon (PT), afirmou que a proposta beneficiaria os usuários de trens (126 milhões anuais) e do metrô Rio (600 mil diários). “O debate ocorreu para estimular as concessionárias de serviços públicos a criar bibliotecas em todas as estações. Isso já acontece em outros lugares, como São Paulo. A ideia é que o cidadão se cadastre com documentos oficiais e tenha o prazo de 15 dias para a devolução do livro. Ainda será enviado um ofício às concessionárias para que elas tenham consciência da proposta”, observa Molon.

Segundo o presidente da Comissão de Cultura da Alerj, uma política de formação de leitores pode ser importante para o desenvolvimento de uma mão de obra qualificada no Estado e até para os Jogos Olímpicos de 2016. Contudo, o deputado ressaltou que o mais relevante da política será a transformação do cidadão. “A leitura é importante para a formação de cidadãos mais plenos, mais completos. Ela ajuda no mercado de trabalho e garante uma vida melhor. Ela também fará com que os cidadãos reflitam melhor sobre suas vidas, seus dramas, seus sonhos, seus sensos críticos”, explica.

Questionado sobre a dificuldade que um passageiro teria para ler durante uma viagem em trens e metrôs sempre superlotados, Molon enfatizou a necessidade de ter um transporte de qualidade. “O hábito da leitura, que trará distração e conhecimento aos passageiros, e a implantação de bibliotecas têm de andar juntos com um transporte de qualidade”, opina. Na estação Central do Metrô Rio já existe o projeto “Livros & Trilhos”, em que os usuários têm acesso ao empréstimo de livros, teses, filmes, dissertações, jornais e revistas. Com a implementação da proposta, esse projeto seria estendido a todas as estações do Metrô Rio.

“Leitura é a primeira questão de um país”

A presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), Sônia Machado, informou que há 652 editoras ativas no Estado do Rio, com 19.400 postos de trabalho, e que publicam cerca de 50 mil títulos por ano. Entretanto, a percepção é de que ainda resta muito trabalho a ser feito. Para a doutora em teoria da Literatura e professora do Colégio de Aplicação (CAP) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) Rosa Maria Cuba Riche,  uma política de formação de leitores é um instrumento de educação essencial. “A leitura é a primeira questão de um país que quer ser alguma coisa. É uma forma de ensinar a pescar. Quanto mais acesso, melhor. Com a leitura, as pessoas começam a se educar. É preciso aprender a usar o objeto livro”, salienta.

A educadora elogiou a proposta, mas explicou que o hábito da leitura é algo gradual e por isso a divulgação do projeto será crucial. “A iniciativa é válida e muito interessante. Acho que basta ter vontade política. Entretanto, se tornar um leitor é um processo. Quando ele tem acesso fácil aos livros, ele fica próximo a eles”, comenta. “Precisamos de uma política efetiva de leitura. Ela é a porta sem a qual o cidadão não consegue entrar em lugar algum. Por meio da leitura, ele forma opinião, conhece outras culturas, constrói seu próprio conhecimento, se expressa melhor e não é enganado. Ele se torna capaz de modificar seu entorno, o cenário”, acrescenta Rosa Maria.
 
Usuária vê incentivo como chave da questão


Fisioterapeuta e estudante de Medicina Liana Tito, 27, mora ao lado de uma estação do Metrô Rio, costuma utilizá-lo com frequência e aprovou a proposta. “Acho a iniciativa válida e importante. Existe um projeto de leitura na estação Central e vejo muita gente que pega livros e outros que leem nos bancos da estação”, diz. A jovem disse que um dos atrativos é a falta de distrações durante as viagens, mas afirma que a pressa dos usuários pode atrapalhar. “O ponto negativo é que as estações ficam em locais de passagem. As pessoas passam pelas estações sempre com pressa e não as vejo parar para pegar livros emprestados”, comenta.

“Creio que um sistema de empréstimo rápido poderia ser uma solução. Porém, mais eficiente seria que professores incentivassem seus alunos a fazer empréstimos nessas bibliotecas”, ressalta a estudante. Liana também defende outras formas de atrair os potenciais leitores. “Há muitas escolas no entorno das estações e, em muitas delas, não há bibliotecas. Acho que uma boa maneira de criar o hábito de leitura seria trocar um bilhete de trem ou metrô a cada cinco ou um número fixo de empréstimos”, sugere.


 

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Comentários:

  • De: Mario

    Cidade: Rio

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    Bibliotecas ??!!...

    Que tal se o metrô botasse mais trens, mais ar-condicionado, circulação de madrugada, mais informações para os usuários, mais qualidade no serviço, mais segurança, mais linhas, etc..

  • Data: 04/06/2010 às 09:29:30

Sexta-Feira, 03 de Setembro de 2010

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