Cinematógrafo

Estrelas além do tempo

Em tempos cada vez menos intolerantes, nada como um filme sobre mulheres negras e poderosas sambando na cara do patriarcado. Estrelas além do tempo tira do ostracismo a história de luta de três mulheres (Katherine G. Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson) que ousaram não se acomodar nos bancos de trás dos ônibus e tampouco se calar diante da segregação racial institucionalizada. Mas afinal, o filme fala sobre...? Num dos muitos episódios que marcaram os anos de Guerra Fria, a disputa intensa entre EUA e União Soviética pela “conquista do espaço", talvez tenha sido um dos mais emblemáticos. O filme aborda, por um lado, o pânico americano frente à “ameaça comunista” e, por outro, todas as dificuldades pra quem nasceu mulher e negra, numa época em que as tensões sociais e raciais andavam extremamente tensas e acirradas. No entanto, o cenário proposto corresponde às dependências da Nasa, a qual contratava pessoas com a função de “computadores”. Em outras palavras, matemáticas brilhantes, responsáveis pelo cálculo e...
Leia mais

La la Land

Sim. Muito e ainda mais já foi falado e esmiuçado sobre um dos musicais que mais vem fazendo sucesso nos últimos tempos. Mas eu PRECISO falar sobre ele. Confesso que vi ainda na estreia e tentei, ao máximo, chegar ao cinema com o mínimo de expectativas. Logo, não li nada a respeito e, tirando o fato de saber que rolaria música do início ao fim, procurei fechar olhos e ouvidos a quaisquer informações prévias. Vamos resumir? Não fosse o final que, mesmo óbvio, consegue dar um bom fechamento, La La Land teria entrado no meu hall dos "filmes-que-achei-que-seriam-incríveis-mas-acabaram-meia-boca". É claro que eu estava curiosa pra entender o “bafafá” do público em relação ao filme. Afinal, o que haveria de tão incrível e diferente assim nele? A real é que La La Land é um filme com algumas barrigas e que poderia ficar fácil com uns quinze ou vinte minutos a menos. Nada que comprometa o resultado, mas isso realmente me incomodou. Aliás,...
Leia mais

O Contador

Confesso que fiquei um pouco na dúvida sobre este filme antes de vê-lo. Após a sessão, fiquei mais confusa ainda. Explico. Através de algumas narrativas paralelas e, ao mesmo tempo, completamente relacionadas, o filme fala, principalmente, sobre um genial matemático que trabalha como contador (Ben Affleck). No entanto, ele não se diferencia dos demais apenas pela inteligência, mas pelo fato de ser autista e ter um vida marcada por uma infância, no mínimo, conturbada. Além de tudo isso, o tal contador vai se mostrando, ao longo da trama, ser bem diferente do que aparenta e o resultado é um matemático que sabe lutar caratê, atirar como um soldado de elite e, que pra completar, trabalha pra um pá de gente estranha e do mal. Claro que adicionar "camadas" à obra é (quase) sempre interessante e válido. Porém, mais eficaz é saber a hora de manter a simplicidade narrativa. Ou seja, tudo o que não foi feito em "O Contador".Deixou a impressão...
Leia mais

A Chegada

Desde "Interestelar", estava com saudades de ver um bom filme de ficção científica. Vontade satisfeita! Depois de obras como "Sicario" (2015) e "Incêndios" (2010), o diretor Denis Villeneuve envereda por um caminho bem diferente em "A Chegada", o qual narra a chegada repentina de 12 naves espaciais à Terra. No entanto, ao contrário da maior parte dos filmes do gênero, este ganha pela sutileza e pelos espaços deixados por tudo o que não deve e tampouco precisa ser contado, mas talvez apenas compreendido por cada espectador. Com um elenco central relativamente enxuto para uma obra de ficção científica (Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker), o filme nos apresenta uma abordagem narrativa inteligente e com um ritmo bem próprio aos trabalhos anteriores do diretor. Em "A Chegada", o objetivo mundial é saber quais as reais intenções dos seres visitantes, uma vez que cada uma das naves "estacionou" em cima de algum ponto relevante do planeta, principalmente, quanto a aspectos políticos e armamentistas....
Leia mais

The Salesman ou Le Client

Confesso que o primeiro e último filme ao qual assisti do diretor iraniano Asghar Farhadi foi Separação. Confesso também que, ao contrário dos meus conhecidos cinéfilos (e da maior parte da "crítica realmente especializada"), não gostei muito do filme. Achei um pouco moroso - embora ame filmes com ritmos lentos - e a sensação que fiquei quando saí foi de "filme-longo-demais-que-saiu-de-nenhum-lugar-pra-lugar-algum". Quase cinco anos depois, resolvo entrar num desses cinemas de rua que eu tanto adoro e ver The Salesman, me dando conta de quem era o diretor apenas depois de comprar meu ingresso. Claro, entrei e assisti. Ainda bem! O filme conta a história de um casal, obrigado a se mudar de seu apartamento por risco de desabamento do prédio. Com a ajuda de um amigo do grupo de teatro no qual ambos trabalham, eles encontram um novo lugar. No entanto, quando a casa parece estar se "arrumando", algo realmente horrível acontece e o casal tem sua vida alterada...
Leia mais

Mademoiselle

Sem saber, acabei assistindo a mais um filme Chan-wook Park, mesmo diretor de “Old Boy”, obra de 2003 e que foi sucesso de público e crítica. Resultado? Virei fã do cara e preciso ver tudo o que ele produziu até hoje! Mademoiselle é baseado na história britânica “Fingersmith", de Sarah Waters. No entanto, Park levou a trama para o Oriente, onde uma jovem coreana pobre é contratada como dama de companhia de uma japonesa aristocrata. O filme é repleto de reviravoltas, seguindo (livremente) os três capítulos ou “pontos de vista” da narrativa original da escritora. O primeiro, contado pela jovem coreana. O segundo, pela rica japonesa. E o terceiro, pelo conde com o qual a aristocrata deve se casar. A verdade é que se você prestar bastante atenção desde o início, talvez já perceba por onde o roteiro vai enveredar. Se não, tanto melhor. Afinal, surpresas cinematográficas desse tipo são sempre boas. Claro que a receita do diretor – punhados de humor...
Leia mais

Doctor Strange

Pra minha sorte (?), de 10 coisas que meu irmão me conta, 8 estão relacionadas ao mundo das HQs e, mais especificamente, a velha “rixa” entre Marvel e DC Comics. Mas, como nem todos têm um maninho compulsivo por quadrinhos e que pode discorrer sobre o assunto por HORAS (!!), Doctor Strange chega sob medida. Em outras palavras, nunca abriu uma folha das revistinhas dele? Não faz mal. Você não vai ficar voando. No papel principal, temos Benedict Cumberbatch, um ator que acabou ficando conhecido por interpretar o famoso detetive inglês Sherlock, na série com título homônimo. Aliás, falando em atores, o elenco de Doctor Strange segura um roteiro que, mesmo sendo bom, poderia derrapar facilmente pro ridículo. Afinal, andar por aí com uma capa, conjurando mil elementos e combatendo uma força “ultra-maligna-devoradora-de-tudo” pode acabar em comédia pastelão, não? Não. Pelo menos não numa obra que, além de Cumberbatch, traz atores como Tilda Swinton, Chiwetel Ejiofor, Mads Mikkelsen e...
Leia mais

Animais fantásticos e onde eles habitam

Assim como a maioria dos leitores de Harry Potter, eu também já andava sonhando com continuações incríveis das aventuras. Mas a verdade é que, a cada momento em eu que pensava nisso, ficava com 23 pés atrás frente à possibilidade de ver uma das sagas mais bem sucedidas da história (e estou falando dos livros, filmes e "desdobramentos", é claro) ir pro buraco sendo lembrada por algo "mais ou menos", por conta de só "mais um filme". Assim que soube que a próxima obra não seria necessariamente sobre Harry e cia., fiquei aliviada. No entanto, quando descobri o real foco da narrativa e sobre quem faria o papel principal, não tive dúvidas de que o filme seria, no mínimo, bom. Não me enganei. Já que estamos falando de magia, claro que a obra veio recheada de efeitos especiais, mas mesmo estes efeitos têm um toque mais "natural". Em outras palavras, nada de "halterofilismo digital", mas apenas o uso necessário da computação gráfica...
Leia mais

Inferno (ou quando público é “condenado” ao purgatório)

Baseado em mais um dos livros do escritor Dan Brown, Tom Hanks volta às telas na pele do famoso professor Robert Langdon (O Código DaVinci). Confesso que sou um pouco suspeita pra falar das tramas desenvolvidas por Dan Brown, já que não gosto de nenhuma, praticamente. No entanto, lá fui eu ver “Inferno”. O filme está infestado de cortes rápidos pra dar um ritmo de thriller e ação. Tanto que, em dados momentos, me peguei pensando se não tinha errado a sala e a obra e, de fato, estava vendo algum filme do 007. Inferno é um filme com um roteiro previsível e extremamente fraco. Tão fraco que, nem o Tom Hanks conseguiu dar jeito. Flashbacks a todo momento e pra todos os gostos, aceleram o ritmo do filme, como disse antes. Mas isso não necessariamente implica em qualidade narrativa. Resumindo, espero que o pobre professor Langdon se aposente ou, pelo menos, tire uns bons anos sabáticos. Em outras palavras, não gaste...
Leia mais

A garota no trem

Sabe aqueles filmes que têm absolutamente tudo pra ficarem realmente bons? Pois é. Não é o caso de A garota no trem. Motivo? Quando você acha que a trama não poderia ficar mais óbvia, acaba surpreendida pela capacidade da roteirista em colocar vários clichês juntos, num curtíssimo espaço de tempo. Com um início bastante interessante, o filme tem uma pegada bem intimista, através das narrativas de três mulheres, incluindo naturalmente a personagem principal (Rachel), vivida pela excelente Emily Blunt. Rachel pega o trem todos os dias para ir e voltar do trabalho. Fazendo sempre o mesmo trajeto, ela observa a vida das pessoas que moram em duas casas próximas aos trilhos. No entanto, conforme o tempo vai passando, o espectador vai tendo a percepção de que nem tudo é o que aparenta e que, assim como a personagem Rachel, as outras personagens femininas possuem várias e interessantes camadas. Boa fotografia, bom ritmo de edição e ótimas atuações tentam, arduamente, sustentar...
Leia mais