Cinematógrafo

O estranho que nós amamos (The Beguiled)

De cara, preciso deixar claro que sou realmente fã de Sofia Coppola. Logo, após o prêmio de Melhor Diretora em Cannes desse ano, fiquei ensandecida para ver o seu sexto filme. Tudo se passa durante a guerra civil americana, num internato sulista, no qual apenas algumas moças permaneceram. Entre trabalhos domésticos e aulas de etiqueta e francês, as jovens vão passando os dias, entre o tédio e a tensão da guerra. No entanto, num dado momento, uma das meninas descobre um soldado inimigo ferido dentro da propriedade e elas decidem cuidar do dito cujo, ao invés de entrega-lo ao exército confederado. E esse é o ponto de partida para aquele tal “silêncio que precede o esporro”. Rapidamente, mudanças de comportamento vão sendo observadas nas mulheres da casa e o “intruso” passa rapidamente a objeto de extrema curiosidade e atenção. Dias viram semanas e uma convivência, aparentemente cordial entre todos, vai deixando cada vez mais claro a existência de uma forte...
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Les Innocentes

Ambientado no ano de 1945, o filme toca em um assunto real e extremamente delicado: o nascimento de vários bebês em um convento na Polônia. No entanto, as mães são as próprias freiras. A obra usa como fio condutor, Mathilde, uma jovem francesa da cruz vermelha. Por mero acaso, ela acaba tendo contato com a tal congregação e, após algum tempo, uma relação de confiança fica estabelecida entre elas. Logo, a jovem passa a executar todos os partos. O foco, naturalmente, são as consequências devastadoras dos abusos sexuais cometidos pelos soldados, principalmente russos, contra as freiras e noviças do convento. Ponto interessante? O filme consegue manter uma atmosfera de tensão, sem recorrer à violência mais “gráfica”. Em outras palavras, consegue deixar o espectador bem próximo do trauma e do terror vivido por aquelas mulheres, sem recorrer ao “choque” fácil. Com um narrativa cinematográfica diferente da habitual em relação aos desdobramentos da Segunda Guerra Mundial, o filme é bem executado, com atuações críveis, fotografia...
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Alien: Covenant

Confesso que sou um pouco “pé atrás” com sequências e, em relação à “Alien” não seria diferente. [caption id="attachment_70745" align="alignleft" width="300"] Um dos bichinhos.[/caption] Cronologicamente, o filme vem logo após “Prometheus” e, como este, narra a origem dos “bichinhos” que a gente tanto ama. Uma expedição de colonização vai em busca de um possível planeta habitável, quando recebe um sinal estranho e decide investigar. No entanto, nada sai como esperado. Honestamente, como uma fã da história original, espero que pare por aí. A cada novo filme, a impressão que fica é que, uma trama interessante vai se diluindo até virar algo um pouco menos pior que uma “sessão da tarde”. Com um roteiro engessado e viradas mais do que previsíveis, o filme tenta se sustentar em efeitos especiais e em algumas atuações. No entanto, ambos estão longe do excepcional. Destaque? Os Aliens. E só....
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Personal Shopper

Já tem umas semanas que vi, mas preciso dizer que ainda não tenho UMA conclusão pra esse filme do diretor Olivier Assayas (Paris, je t'aime). Tanto melhor. Ambientado em Paris, Maureen (Kristen Stewart) trabalha exatamente como o título da obra indica. No caso, ela faz compras para uma celebridade, em lojas caríssimas e exclusivas. Portanto, a artista manda e ela vai (aonde for) comprar as peças exigidas. No entanto, o grande foco de Maureen não está em acessórios e roupas, mas na busca implacável em estabelecer alguma comunicação com o próprio irmão. Até aí tudo bem, não houvesse o tal irmão morrido há algum tempo. Aproveitando-se de sua aparente capacidade em se comunicar com os mortos, ela busca manter o combinado entre eles. Ou seja, ficou acertado que, quem morresse antes, voltaria para se comunicar com o outro. O filme poderia ter seguido um caminho fechado no sobrenatural, mas não o faz. Pelo contrário, este está presente apenas como o fio condutor para falar...
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Okja

Esse título peculiar bem poderia ser substituído por algo no estilo “Como-fazer-uma-carnívora- sentir-uma-culpa-master-em-duas-horas-de-filme”. Mas vamos, com calma, pelo começo. Essa coprodução entre EUA e Coréia do Sul narra a história de Mija, uma garota que vive nas montanhas coreanas com o avô, e sua porquinha Okja. Um detalhe: Okja não é nada “inha”. Na verdade, ela foi criada, geneticamente, por uma corporação alimentícia, visando aumentar seus lucros. Em outras palavras, Okja é uma “superporca” (sim, esse é o termo usado por eles) capaz de produzir muito mais derivados e, portanto, lucro. Com uma pegada caricatural e altamente ácida, o filme traz uma dura crítica ao modus operandi das grandes empresas do ramo alimentício. Atinge o objetivo em cheio ao mesclar cenas fortes e insinuações de ações, as quais deixam alguns “gaps” propositais para serem preenchidos pela imaginação dxs espectadorxs. Além do tema polêmico, o filme acabou fazendo um certo estardalhaço pela participação no Festival de Cannes deste ano. A obra foi aplaudida...
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Jackie

Ao contrário de outros filmes que abordaram o assassinato do ex-presidente Kennedy, este deixa de lado as análises forenses e as teorias conspiratórias e repousa o foco muito além do icônico conjunto Chanel rosa (e ensanguentado) de Jackie. Com uma narrativa lenta, o filme leva o espectador aos bastidores de um dos acontecimentos políticos mais polêmicos do século XX. Mas qual o ponto de partida? Uma entrevista concedida pela ex-primeira dama, contando o que aconteceu após a morte do marido. Mais precisamente, narrando os quatro dias seguintes ao crime. A verdade é que, desde que tomei conhecimento da obra, fiquei curiosa justamente pela possibilidade de um ponto de vista original. Em outras palavras, uma figura pública já tão esmiuçada pela mídia, mas que, até então, ainda não havia sido contemplada com um roteiro sério e que desse espaço para mesclar realidade e ficção. Aliás, linhas tênues entre fatos e interpretações servem bem pra ilustrar a própria figura de Jackie, no filme....
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Respire (Breathe)

Dirigido por Mélanie Laurent (a Shosanna Dreyfus, de Bastardos Inglórios), “Respire” é um filme com baixo orçamento, mas bem feito. A narrativa? Charlie está com problemas em casa, pois seus pais estão se separando. Charlie também começa a ter problemas no colégio, pois tudo muda a partir do momento em que Sarah (outra adolescente) entra na história. Ok. Certeza que você já viu uns 32 filmes com essa “cara”. E a verdade é que a trama poderia facilmente se manter nos lugares comuns ao narrar os dias da jovem Charlie e a sua relação com a família, com os colegas de escola e, claro, com todas as crises existenciais que acompanham uma boa adolescência. No entanto, as nuances certas são aproveitadas, fazendo com que o filme fique bem longe de um simples ajuste hormonal. Fotografia, trilha e ótimas atuações marcam a obra, a qual merece, definitivamente, uma conferida....
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Wonder Woman

Li em algum lugar (ou alguém me disse?) o seguinte: “esse filme é tão bom que até parece da Marvel”. Golpe baixo, mas certeiro. Afinal, depois de “pérolas” como Batman Vs. Superman, finalmente a DC traz às telonas um representante à altura. Não, não vou entrar no assunto “quadrinhos”. A coluna é sobre cinema e, além do mais, sinto uma preguiça monumental em entrar nessa batalha eterna do “mas esse filme não está seguindo o HQ!”. Logo, ao filme! Com um roteiro bem amarrado, a narrativa traz Diana (a.k.a Mulher Maravilha) - a filha da rainha das amazonas (Hippolyta) com ninguém menos do que Zeus – desde a infância até a idade adulta, cercada por duros treinamentos bélicos, mas protegida do mundo fora dos limites da ilha de Themyscira. Cronologicamente, o filme se passa em dois momentos. Primeiro, em uma época mais atual e após a suposta morte de Superman. Segundo, início do século XX, através das lembranças de Diana, durante...
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Ex Machina

Abrindo meu estoque de "filmes que acho que são bons e vou guardar pra ver depois", dei de cara com Ex Machina. Não me enganei. É um filme realmente bom. Aliás, a escolha do título certamente não é ao acaso, mas guardemos isso pra logo mais. Numa época não especificada, um jovem programador (Caleb) ganha o direito de passar uma semana na casa do dono da empresa (Nathan) na qual trabalha. No entanto, fica claro, desde o início, que se trata de uma megaempresa e que o tal patrão é uma espécie de gênio da tecnologia. Caleb parte então para a casa do empresário e não demora muito a perceber que nem tudo é como aparenta ser. O jovem é incumbido de avaliar a suposta primeira "inteligência artificial" do mundo. Esta, representada por um corpo feminino, o qual atende pelo nome de Ava. Durante sete dias, o rapaz tem conversas com Ava e, aos poucos, percebe que seus sentimentos por...
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Elle

Além de Isabelle Huppert no elenco, Elle é incrível pelo simples fato de ir, a cada cena, desconstruindo absolutamente tudo o que você achava que estava deduzindo até cinco segundos antes. Michèle Leblanc é uma mulher bem sucedida e independente. No entanto, você só descobre isso depois. Afinal, o filme opta por iniciar com trechos do estupro sofrido pela personagem. O criminoso, de rosto coberto, sai correndo, deixando-a estirada no chão da sala de casa. Sim, algo devastador ocorre com ela. No entanto, a personagem continua como se nada houvesse ocorrido. Negação? Trauma? Coragem? Tudo isso combinado? N.D.A? Como eu disse, o mais interessante sobre Elle é a própria estrutura narrativa. Viradas sutis à cada instante, mas sem exageros, garantem um "debate pós-filme" daqueles que rendem horas. Afinal, o foco do filme é, sem dúvida, o papel da mulher dentro de uma sociedade completamente misógina que ainda se debate com a presença de uma figura feminina que se recusa a...
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