Mundo do Samba

Carnaval, balanço do fim de um ciclo

Encerrado mais um ciclo do Carnaval, é hora de fazer um balanço do que passou. Sem dúvida, o desfile das escolas de samba do Grupo Especial de 2017 foi um dos mais fracos dos últimos anos. Não se tem notícia de um desfile tão tumultuado, com tantos acidentes e pessoas feridas, desde a inauguração da Passarela do Samba, em 1984. Quanto ao desempenho das escolas, também não foi dos melhores. Problemas com imensos carros alegóricos atrapalharam a evolução e harmonia dos desfiles da Paraíso do Tuiuti, União da Ilha, Unidos da Tijuca e Mangueira. Também houve problemas com a quebra de um queijo que sustentava uma destaque da Mocidade Independente, que foi ao chão, no entanto, sem maiores consequências. Fora isso, escolas como Unidos de Vila Isabel fizeram apresentações abaixo de seus potenciais. Parece que a crise econômica atingiu em cheio as escolas de samba, que este ano não contaram com a verba do governo do estado do Rio de...
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Um sambista se despede no carnaval

Em plena segunda feira de carnaval, recebemos a triste notícia do falecimento do presidente do GRBC Tradição Barreirense de Mesquita, Ely Francisco Filho, conhecido como Touro, vitimado por enfarte. Isto após um belo e empolgante desfile realizado no sábado de carnaval, na passarela da Avenida Intendente Magalhães, em que ele animadamente comandou a agremiação. Touro foi uma personalidade da cultura da cidade de Mesquita, no Rio de Janeiro. Principalmente no que se refere à Cultura negra. Foi Capoeirista, aluno do mestre Edson Show, enganjado na religiosidade afrobrasileira. Foi um dos fundadores do Tradição Barreirense e antes de chegar à presidência da agremiação, desempenhou a função de Mestre de Bateria. Durante muitos anos, junto com seu irmão Fernando, teve um grupo musical chamado Samba Coracão, no qual participaram Pixule (atualmente puxador da Unidos de Padre Miguel), Bidu do Cavaco, Jorginho do Pandeiro, Manel do Cavaco, Marcelo Machado, Valmir Vezu e Bigu. O grupo fez muito sucesso na década de 90, fazendo...
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Um sambista se despede no carnaval

Em plena segunda-feira de carnaval, recebemos a triste notícia do falecimento do presidente do GRBC Tradição Barreirense de Mesquita, Ely Francisco Filho, conhecido como Touro, vitimado por enfarte. Isto após um belo e empolgante desfile realizado no sábado de carnaval, na passarela da Avenida Intendente Magalhães, em que ele animadamente comandou a agremiação. Touro foi uma personalidade da cultura da cidade de Mesquita, no Rio de Janeiro. Principalmente no que se refere à Cultura negra. Foi Capoeirista, aluno do mestre Edson Show, enganjado na religiosidade afrobrasileira. Foi um dos fundadores do Tradição Barreirense e antes de chegar à presidência da agremiação, desempenhou a função de Mestre de Bateria. Durante muitos anos, junto com seu irmão Fernando, teve um grupo musical chamado Samba Coracão, no qual participaram Pixule (atualmente puxador da Unidos de Padre Miguel), Bidu do Cavaco, Jorginho do Pandeiro, Manel do Cavaco, Marcelo Machado, Valmir Vezu e Bigu. O grupo fez muito sucesso na década de 90, fazendo shows...
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Chegou o Carnaval

Novamente é Carnaval e o Brasil está tomado pelo clima da festa de Momo. De norte a sul não há quem fique imune, até mesmo os que se retiram ou viajam para aproveitar os dias de feriado. No Rio de Janeiro, palco do Carnaval mais famoso do país, os blocos já tomaram conta das ruas, como o Carmelitas, nesta sexta-feira. Hoje, sábado, o Cordão da Bola Preta arrasta cerca de 1 milhão de pessoas no Centro da cidade, num cortejo que se prolonga até o fim da tarde. No Rio, há blocos carnavalescos de todos os tipos e ao gosto de cada folião. Desde os mais tradicionais Simpatia é Quase Amor, Suvaco de Cristo, Banda de Ipanema, Barbas, até os mais moderninhos que misturam samba, funk, pop, Rock e até sertanejo, como Bloco da Preta, Monobloco, Fogo e Paixão, entre outros. As escolas de samba também já ocupam a avenida desde ontem, quando na Marquês de Sapucaí aconteceu o primeiro...
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Quem é sambista de verdade?

A proximidade do Carnaval parece que anima sambistas e não sambistas a alimentarem falsas polêmicas nas redes sociais. Depois da passista que desrespeitou o pavilhão de sua escola, na semana passada, dessa vez foi a disputa entre "quem é raiz" e "quem é Nutella", ou a grosso modo, quem é sambista verdadeiro e quem não é. Enfim, uma discussão irrelevante, que no fundo revela um desconhecimento sobre a origem das escolas de samba, que remontam aos blocos de concumbis, ranchos e cordões existentes no Rio de Janeiro desde o fim do século XIX e início do século XX. Como marco histórico, podemos afirmar que as escolas de samba se consolidam na década de 30 do século XX, embora venham se organizando desde o final dos anos 20, já no contexto de incorporação às regras disciplinares do Carnaval e enquadramento à ordem social por parte do poder público. O samba nesta época, como produto popular de negros e pobres da periferia,...
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Polêmicas do mundo do samba

Esta semana uma polêmica tomou conta do mundo do samba. Uma passista da Unidos da Tijuca postou nas redes sociais uma foto de biquíni enrolada na bandeira da escola. A repercussão foi tanta, com críticas das mais diversas, que o presidente da agremiação afastou a componente. A segunda porta-bandeira, que era a responsável pela guarda do pavilhão, alegou que precisou ir ao banheiro e pediu à passista que tomasse conta da bandeira, e que se estivesse presente no momento não permitiria tal situação. Toda esta polêmica nos remete às duas últimas colunas em que comentei sobre a arte do mestre-sala e as baterias das escolas de samba que, embora atualmente  sejam quesitos de julgamento, têm por trás toda uma tradição que remete às origens dessas entidades. A bandeira é um símbolo sagrado de uma agremiação e é uma referência aos estandartes dos tempos dos concumbis, ranchos e cordões, ainda no final do século XIX e início do século XX, quando...
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As baterias das escolas de samba

A bateria de uma escola de samba é a própria essência da agremiação, está na gênese da criação da arte ancestral dos batuques, no DNA do samba, do ritmo, da música e da dança. Não existe escola de samba sem bateria. Sem surdos, caixas, taróis, cuícas, chocalhos, tamborins, agogôs. Não há nada que contagie mais no samba do que o ritmo da bateria, seja nos ensaios nas quadras ou no próprio desfile de carnaval. Inicialmente, as primeiras  contavam com cerca de 20 a 30 componentes, nada comparável aos cerca de 300 de uma grande bateria atual. Aliás, este foi um setor que sofreu grandes transformações com o tempo. Não só na tecnologia utilizada nos materiais, mas no próprio andamento do samba, jeito de tocar e ritmo. Os primeiros instrumentos eram feitos de forma artesanal, com couro de boi ou de cabra, como diz a letra do samba do Império Serrano de 1982, Bumbum Paticumbum Prugurundum: “de uma barrica se...
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A arte do mestre-sala

Uma das coisas mais irritantes e sem graça atualmente em escola de samba é a dança do mestre-sala. A maioria parece robô, com movimentos mecanizados, sem espontaneidade e nenhuma marca de criatividade própria, individual. Procuram imitar movimentos do balé clássico e acabam apenas caricaturizando uma arte que vem da tradição do samba, desde a época do grande Bicho Novo, do Estácio. O único que ainda hoje guarda alguns elementos da verdadeira arte do Mestre Sala é Claudinho, da Beija Flor. O restante, nenhum se destaca. Não existe mais um Delegado, Benicio, Élcio PV, Jamelão, Bagdá, Cizinho. A arte da dança do mestre-sala vem da época em que o samba era marginalizado, quando sofria preconceito por ser “coisa de preto” e de “gente desqualificada” e era perseguido pela polícia. Havia ainda a rivalidade com outros grupos de sambistas, o que via de regra resultava em brigas, navalhadas e golpes de capoeira. Nessas brigas a grande desmoralização era ver seu estandarte...
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Beija Flor, a deusa da passarela III

Depois de abordarmos os desfiles campeões da Beija Flor, encerramos esta série para falar dos seus grandes desfiles que não venceram. E o maior deles foi sem dúvida, em 1989, quando protagonizou o célebre “Ratos e urubus larguem minha fantasia”, a obra prima de Joãosinho Trinta, que entrou para a história do carnaval. No entanto, a escola saiu apenas com o vice-campeonato perdendo para a Imperatriz Leopoldinense e sua ode aos cem anos de proclamação da República “Liberdade, Liberdade, abre as asas sobre nós”, de Max Lopes. A imagem da alegoria do Cristo coberto por um plástico preto, após a censura imposta pela Igreja Católica, é o símbolo daquele desfile e serviu para mistificar ainda mais uma apresentação que fugiu a todos os padrões. Eram milhares de foliões vestidos de mendigos, no ápice da genialidade de Joãosinho, carnavalizando a sua crítica social. O final do desfile da Beija Flor foi síntese do que se chama apoteose, com público gritando é...
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Beija Flor, a deusa da passarela II

Com o tricampeonato de 1976/77/78, a Beija Flor de Nilópolis entra definitivamente no rol das grandes escolas de samba do Rio de Janeiro, desbancando as quatro grandes de então – Império Serrano, Salgueiro, Mangueira e Portela, que se revezavam anualmente entre as primeiras colocações desde a década de 40. Isto provocou uma mudança histórica nos desfiles e possibilitou a ascensão de outras agremiações como Mocidade Independente de Padre Miguel, campeã em 1979 e Imperatriz Leopoldinense, vencedora em 1980 (empatada com Portela e Beija Flor). Os desfiles da escola da Baixada Fluminense do tricampeonato foram indiscutivelmente superiores aos das outras concorrentes. O mais surpreendente foi o de 1976. A Beija Flor foi buscar no Salgueiro o carnavalesco Joãosinho Trinta para dar o salto que almejava. Joãosinho era oriundo da equipe do revolucionário Fernando Pamplona, vinha de um bicampeonato (74/75) com a vermelha e branca da Tijuca e já era apontado com o novo gênio do carnaval carioca. [caption id="attachment_65070" align="alignright" width="300"]...
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