Mundo do Samba

Prossegue o impasse no samba

Após uma semana, permanece o impasse entre prefeitura do Rio de Janeiro e escolas de samba quanto ao Carnaval 2018. Nenhum dos lados recuou ou avançou. Pelo contrário, o prefeito reafirmou a intenção de reduzir os investimentos no Carnaval, ampliando não somente a redução da subvenção ao Grupo Especial, mas também para as escolas menores dos grupos de acesso, incluindo as que desfilam na Avenida Intendente Magalhães. O impasse resultou inclusive no cancelamento da reunião que havia marcado entre prefeito e presidente das escolas de samba. Isto, depois de o presidente da Riotur, órgão da prefeitura responsável pelo organização do Carnaval, anunciar um caderno de encargos para o evento, de forma a passar grande parte dos custos para a iniciativa privada, através de empresas patrocinadoras e anunciantes. O prefeito afirmou que nem mesmo o desfile da Intendente Magalhães terá a garantia do dinheiro público. Sua intenção é que tudo seja bancado por empresas privadas. As escolas alegam que o momento...
Leia mais

É grave a crise no samba

Quem acompanha este espaço, sabe que há algum tempo venho abordando a crise que atinge as escolas de samba do Rio de Janeiro. Esta semana, a crise se aprofundou com a declaração do prefeito Marcelo Crivela de que vai reduzir a verba de subvenção dos desfiles de carnaval em 50 por cento. Ele alega que o dinheiro economizado será investido em creches. Com isso, cada agremiação do grupo especial que recebeu este ano R$2 milhões, receberá R$ 1 milhão para 2018. A reação foi imediata, com repercussão na mídia e nas redes sociais. Pessoas se manifestando contra e a favor da medida. No dia seguinte, em reunião realizada na Liga das Escolas de Samba, as agremiações emitiram uma nota oficial na qual argumentam que com esta redução não terão condições de se prepararem e ameaçam não desfilar no próximo Carnaval. Pelo lado das escolas, elas alegam que o Carnaval traz lucro para a cidade com o aumento do faturamento de...
Leia mais

O samba ainda é espontâneo?

Há um fenômeno atual no mundo das escolas de samba e do Carnaval que é a proliferação de agremiações desconhecidas, que de um ano para o outro surgem no organograma dos desfiles. O mais intrigante é que, assim como surgem, muitas delas desaparecem no ano seguinte, repentinamente e sem deixar rastros. Para se ter uma ideia, no grupo E, a última divisão dos desfiles e por onde as escolas iniciam sua trajetória, estão inscritas para o Carnaval do próximo ano 20 agremiações. Destas, a metade irá estrear na folia carioca, como Sociedade Razões de Almeida, Independentes de Olaria, Embalo do Engenho Novo, Império de Petrópolis e Arrasta Povo, entre outras, das quais nunca se ouviu falar. Este grupo conta ainda com a Império Gonçalense, antiga agremiação do município de São Gonçalo, que debuta no Rio de Janeiro e a Independentes da Praça da Bandeira, que retorna depois de quatro anos ausente da folia. Nos últimos cinco anos, surgiram cerca de...
Leia mais

A crise nas disputas de samba

No universo das escolas de samba e do carnaval, talvez o samba enredo seja o setor mais dinâmico e que mais apresentou transformações ao longo dos anos. Esta semana mais uma agremiação anunciou que não fará concurso para o hino que vai embalar seus foliões no próximo desfile. A Paraíso do Tuiuti irá encomendar seu samba aos compositores Zezé, Aníbal e Jurandir, integrantes de sua ala de compositores, em parceria com os consagrados Cláudio Russo e Moacir Luz. Com isso já são quatro escolas que não farão disputas de samba enredo. Além da Tuiuti, no Grupo Especial, Acadêmicos do Sossego, Inocentes de Belford Roxo e Renascer de Jacarepaguá, do Grupo de Acesso A, já anunciaram que vão encomendar seus sambas. Cada uma tem um argumento para justificar a decisão. A Paraíso do Tuiuti, que foi a última colocada este ano e só não desceu por causa dos acidentes ocorridos no desfile que fizeram com que a Liesa não rebaixasse ninguém,...
Leia mais

Almir Guineto, sambista completo

Ontem fez uma semana que o mundo do samba perdeu um de seus maiores artistas. Almir Guineto, morreu aos 70 anos, após algum tempo internado no hospital por complicações de diabetes e insuficiência renal. Cria do Morro do Salgueiro, ele foi um dos responsáveis, juntamente com Zeca Pagodinho, Jovelina Pérola Negra, Jorge Aragão e o Grupo Fundo de Quintal, pela renovação do samba na década de 80, no que se denominou genericamente de Pagode. Aliás, ele foi um dos fundadores do Fundo de Quintal, que nasceu a partir das rodas de samba realizadas às quartas-feiras no bloco carnavalesco Cacique de Ramos, depois do futebol que eles jogavam. Almir era de uma família de linhagem de grandes sambistas. Seu pai, Iracy Serra foi violonista, sua mãe, Nair de Souza, conhecida como Dona Fia, era costureira e compositora, seu tio Geraldo, era mestre no Caxambu, um ritmo musical oriundo dos negros africanos. Todos de importância fundamental dentro da escola de samba Acadêmicos...
Leia mais

80 anos sem o Poeta da Vila

No dia 4 de maio de 1937 morria Noel Rosa, gênio da música brasileira e considerado o maior compositor de samba da história. Esta semana, portanto, completou 80 anos, em que o Brasil perdia o "Poeta da Vila", autor de centenas de músicas que permanecem vivas no imaginário popular e são cantadas até hoje. Noel de Medeiros Rosa nasceu em 11 de dezembro de 1910 no bairro de Vila Isabel e por causa de um fórceps e complicações no parto, conviveu por toda a vida com o problema do queixo achatado. Tão cedo, como aprendeu a tocar violão e bandolim, também adotou a boemia como religião. Em 1930, ingressou na Faculdade Nacional de Medicina, mas dois anos depois abandonou o curso para se dedicar inteiramente à música. Forma o Bando dos Tangarás junto com Almirante, Braguinha, Alvinho e Henrique Brito e passam a se apresentar em diversas cidades do país. De 1930 a 1937, Noel Rosa compõe mais de 300 obras,...
Leia mais

Mesquita: um celeiro de sambistas no Rio de Janeiro

"Um Vaticano cercado por botequins", assim definiu o falecido poeta e compositor Roque da Paraíba, sobre a cidade de Mesquita. O pequeno município da Baixada Fluminense, imprensado entre Nilópolis e Nova Iguaçu, é conhecido também por ser local de grande número de compositores de samba. Dos 34 km² de extensão geográfica, apenas 9 km² são de área urbana, pois o restante se divide entre o campo de instrução do Gericinó, pertencente ao Exército e a  área de proteção ambiental da Serra de Madureira, o que levou alguém a decretar que a cidade concentra o maior número de sambistas por metro quadrado do país. O mais conhecido e que fez mais sucesso foi Dicró, grande vendedor de discos com seus sambas bem humorados e que expressavam o cotidiano da Baixada e do subúrbio. Bezerra da Silva, outro sambista de sucesso, buscava frequentemente entre os compositores mesquitenses, músicas para seus discos. Seu maior sucesso "Malandragem dá um tempo" é de autoria...
Leia mais

Sinhô, o rei do samba

No ano em que estamos comemorando o centenário do samba, um personagem pouco lembrado, mas muito importante na consolidação desse gênero musical, é o compositor José Barbosa da Silva, conhecido como Sinhô. Nascido em 18 de Setembro de 1888, ainda criança aprendeu a tocar piano com seu avô e aos 14 anos teve contato com Pixinguinha, que foi um dos seus grandes parceiros de música e boêmia. Com apenas 17 anos, casou com uma portuguesa que conheceu no rancho Ameno Resedá e teve três filhos. Em 1913, Sinhô conhece a casa da Tia Ciata, reduto de candomblé e das rodas de samba no Rio de Janeiro, juntamente com Pixinguinha e Donga, autor de Pelo Telefone em parceria com Mauro de Almeida, o primeiro samba gravado. Sinhô tinha um gênio provocador e em 1918 formou o grupo "Quem são eles? ", desafiando Donga, Pixinguinha, China e Hilario Jovino em plena Praça 11. Também usava a música para criticar a política, como...
Leia mais

Chiquinha Gonzaga, uma pioneira

Na semana passada, comentei sobre os 70 anos do Império Serrano e citei Dona Ivone Lara como grande compositora e baluarte da escola. Dona Ivone foi pioneira, pois foi a primeira mulher admitida numa ala de compositores e também a primeira a ter um samba enredo cantado na Avenida. Os cinco bailes da história do Rio, com o qual o Império desfilou em 1965. Mas,  no encerramento desse mês de março, também dedicado às mulheres, não podemos esquecer de uma outra pioneira, que ainda no século XIX quebrou barreiras, tornando-se a primeira compositora popular do país. Chiquinha Gonzaga se impôs com seu talento, fazendo músicas que permanecem até hoje. Nascida Francisca Edwiges Neves, no Rio de Janeiro, em 17 de outubro de 1847, filha de uma família ilustre, casou aos 13 anos com um oficial da marinha mercante. Após ser mãe de cinco filhos, separou-se do marido ao não mais suportar a reclusão e as ordens do marido para que...
Leia mais

Serrinha, 70 anos de glórias

Na última quinta feira, 23 de março, a escola de samba Império Serrano comemorou 70 anos de existência. A agremiação fundada no morro da Serrinha, em Madureira, a partir da dissidência da antiga Prazer da Serrinha, vive atualmente um momento de ressurgimento, com a recente conquista do campeonato do Grupo A, ascendendo assim ao Grupo de elite das escolas, depois de oito anos. Detentora de nove títulos de campeã entre as grandes escolas de samba, o reizinho de Madureira, como é conhecido, era até a década de 80 sempre apontada entre as favoritas. Entretanto, desde então passou por crises internas, que tornaram instável sua presença entre as grandes, num constante acesso e descesso. Seu último campeonato entre a elite do samba foi em 1982, com o célebre Bum bum paticumbum prugurundum. O Império Serrano foi fundado em 1947 por um grupo de trabalhadores do cais do porto do Rio de Janeiro, entre eles Eloi Antero Dias, Mestre Fuleiro, Sebastião Molequinho, Aniceto,...
Leia mais