Mundo do Samba

Mesquita: um celeiro de sambistas no Rio de Janeiro

"Um Vaticano cercado por botequins", assim definiu o falecido poeta e compositor Roque da Paraíba, sobre a cidade de Mesquita. O pequeno município da Baixada Fluminense, imprensado entre Nilópolis e Nova Iguaçu, é conhecido também por ser local de grande número de compositores de samba. Dos 34 km² de extensão geográfica, apenas 9 km² são de área urbana, pois o restante se divide entre o campo de instrução do Gericinó, pertencente ao Exército e a  área de proteção ambiental da Serra de Madureira, o que levou alguém a decretar que a cidade concentra o maior número de sambistas por metro quadrado do país. O mais conhecido e que fez mais sucesso foi Dicró, grande vendedor de discos com seus sambas bem humorados e que expressavam o cotidiano da Baixada e do subúrbio. Bezerra da Silva, outro sambista de sucesso, buscava frequentemente entre os compositores mesquitenses, músicas para seus discos. Seu maior sucesso "Malandragem dá um tempo" é de autoria...
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Sinhô, o rei do samba

No ano em que estamos comemorando o centenário do samba, um personagem pouco lembrado, mas muito importante na consolidação desse gênero musical, é o compositor José Barbosa da Silva, conhecido como Sinhô. Nascido em 18 de Setembro de 1888, ainda criança aprendeu a tocar piano com seu avô e aos 14 anos teve contato com Pixinguinha, que foi um dos seus grandes parceiros de música e boêmia. Com apenas 17 anos, casou com uma portuguesa que conheceu no rancho Ameno Resedá e teve três filhos. Em 1913, Sinhô conhece a casa da Tia Ciata, reduto de candomblé e das rodas de samba no Rio de Janeiro, juntamente com Pixinguinha e Donga, autor de Pelo Telefone em parceria com Mauro de Almeida, o primeiro samba gravado. Sinhô tinha um gênio provocador e em 1918 formou o grupo "Quem são eles? ", desafiando Donga, Pixinguinha, China e Hilario Jovino em plena Praça 11. Também usava a música para criticar a política, como...
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Chiquinha Gonzaga, uma pioneira

Na semana passada, comentei sobre os 70 anos do Império Serrano e citei Dona Ivone Lara como grande compositora e baluarte da escola. Dona Ivone foi pioneira, pois foi a primeira mulher admitida numa ala de compositores e também a primeira a ter um samba enredo cantado na Avenida. Os cinco bailes da história do Rio, com o qual o Império desfilou em 1965. Mas,  no encerramento desse mês de março, também dedicado às mulheres, não podemos esquecer de uma outra pioneira, que ainda no século XIX quebrou barreiras, tornando-se a primeira compositora popular do país. Chiquinha Gonzaga se impôs com seu talento, fazendo músicas que permanecem até hoje. Nascida Francisca Edwiges Neves, no Rio de Janeiro, em 17 de outubro de 1847, filha de uma família ilustre, casou aos 13 anos com um oficial da marinha mercante. Após ser mãe de cinco filhos, separou-se do marido ao não mais suportar a reclusão e as ordens do marido para que...
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Serrinha, 70 anos de glórias

Na última quinta feira, 23 de março, a escola de samba Império Serrano comemorou 70 anos de existência. A agremiação fundada no morro da Serrinha, em Madureira, a partir da dissidência da antiga Prazer da Serrinha, vive atualmente um momento de ressurgimento, com a recente conquista do campeonato do Grupo A, ascendendo assim ao Grupo de elite das escolas, depois de oito anos. Detentora de nove títulos de campeã entre as grandes escolas de samba, o reizinho de Madureira, como é conhecido, era até a década de 80 sempre apontada entre as favoritas. Entretanto, desde então passou por crises internas, que tornaram instável sua presença entre as grandes, num constante acesso e descesso. Seu último campeonato entre a elite do samba foi em 1982, com o célebre Bum bum paticumbum prugurundum. O Império Serrano foi fundado em 1947 por um grupo de trabalhadores do cais do porto do Rio de Janeiro, entre eles Eloi Antero Dias, Mestre Fuleiro, Sebastião Molequinho, Aniceto,...
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Carnaval, balanço do fim de um ciclo

Encerrado mais um ciclo do Carnaval, é hora de fazer um balanço do que passou. Sem dúvida, o desfile das escolas de samba do Grupo Especial de 2017 foi um dos mais fracos dos últimos anos. Não se tem notícia de um desfile tão tumultuado, com tantos acidentes e pessoas feridas, desde a inauguração da Passarela do Samba, em 1984. Quanto ao desempenho das escolas, também não foi dos melhores. Problemas com imensos carros alegóricos atrapalharam a evolução e harmonia dos desfiles da Paraíso do Tuiuti, União da Ilha, Unidos da Tijuca e Mangueira. Também houve problemas com a quebra de um queijo que sustentava uma destaque da Mocidade Independente, que foi ao chão, no entanto, sem maiores consequências. Fora isso, escolas como Unidos de Vila Isabel fizeram apresentações abaixo de seus potenciais. Parece que a crise econômica atingiu em cheio as escolas de samba, que este ano não contaram com a verba do governo do estado do Rio de...
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Um sambista se despede no carnaval

Em plena segunda feira de carnaval, recebemos a triste notícia do falecimento do presidente do GRBC Tradição Barreirense de Mesquita, Ely Francisco Filho, conhecido como Touro, vitimado por enfarte. Isto após um belo e empolgante desfile realizado no sábado de carnaval, na passarela da Avenida Intendente Magalhães, em que ele animadamente comandou a agremiação. Touro foi uma personalidade da cultura da cidade de Mesquita, no Rio de Janeiro. Principalmente no que se refere à Cultura negra. Foi Capoeirista, aluno do mestre Edson Show, enganjado na religiosidade afrobrasileira. Foi um dos fundadores do Tradição Barreirense e antes de chegar à presidência da agremiação, desempenhou a função de Mestre de Bateria. Durante muitos anos, junto com seu irmão Fernando, teve um grupo musical chamado Samba Coracão, no qual participaram Pixule (atualmente puxador da Unidos de Padre Miguel), Bidu do Cavaco, Jorginho do Pandeiro, Manel do Cavaco, Marcelo Machado, Valmir Vezu e Bigu. O grupo fez muito sucesso na década de 90, fazendo...
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Um sambista se despede no carnaval

Em plena segunda-feira de carnaval, recebemos a triste notícia do falecimento do presidente do GRBC Tradição Barreirense de Mesquita, Ely Francisco Filho, conhecido como Touro, vitimado por enfarte. Isto após um belo e empolgante desfile realizado no sábado de carnaval, na passarela da Avenida Intendente Magalhães, em que ele animadamente comandou a agremiação. Touro foi uma personalidade da cultura da cidade de Mesquita, no Rio de Janeiro. Principalmente no que se refere à Cultura negra. Foi Capoeirista, aluno do mestre Edson Show, enganjado na religiosidade afrobrasileira. Foi um dos fundadores do Tradição Barreirense e antes de chegar à presidência da agremiação, desempenhou a função de Mestre de Bateria. Durante muitos anos, junto com seu irmão Fernando, teve um grupo musical chamado Samba Coracão, no qual participaram Pixule (atualmente puxador da Unidos de Padre Miguel), Bidu do Cavaco, Jorginho do Pandeiro, Manel do Cavaco, Marcelo Machado, Valmir Vezu e Bigu. O grupo fez muito sucesso na década de 90, fazendo shows...
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Chegou o Carnaval

Novamente é Carnaval e o Brasil está tomado pelo clima da festa de Momo. De norte a sul não há quem fique imune, até mesmo os que se retiram ou viajam para aproveitar os dias de feriado. No Rio de Janeiro, palco do Carnaval mais famoso do país, os blocos já tomaram conta das ruas, como o Carmelitas, nesta sexta-feira. Hoje, sábado, o Cordão da Bola Preta arrasta cerca de 1 milhão de pessoas no Centro da cidade, num cortejo que se prolonga até o fim da tarde. No Rio, há blocos carnavalescos de todos os tipos e ao gosto de cada folião. Desde os mais tradicionais Simpatia é Quase Amor, Suvaco de Cristo, Banda de Ipanema, Barbas, até os mais moderninhos que misturam samba, funk, pop, Rock e até sertanejo, como Bloco da Preta, Monobloco, Fogo e Paixão, entre outros. As escolas de samba também já ocupam a avenida desde ontem, quando na Marquês de Sapucaí aconteceu o primeiro...
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Quem é sambista de verdade?

A proximidade do Carnaval parece que anima sambistas e não sambistas a alimentarem falsas polêmicas nas redes sociais. Depois da passista que desrespeitou o pavilhão de sua escola, na semana passada, dessa vez foi a disputa entre "quem é raiz" e "quem é Nutella", ou a grosso modo, quem é sambista verdadeiro e quem não é. Enfim, uma discussão irrelevante, que no fundo revela um desconhecimento sobre a origem das escolas de samba, que remontam aos blocos de concumbis, ranchos e cordões existentes no Rio de Janeiro desde o fim do século XIX e início do século XX. Como marco histórico, podemos afirmar que as escolas de samba se consolidam na década de 30 do século XX, embora venham se organizando desde o final dos anos 20, já no contexto de incorporação às regras disciplinares do Carnaval e enquadramento à ordem social por parte do poder público. O samba nesta época, como produto popular de negros e pobres da periferia,...
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Polêmicas do mundo do samba

Esta semana uma polêmica tomou conta do mundo do samba. Uma passista da Unidos da Tijuca postou nas redes sociais uma foto de biquíni enrolada na bandeira da escola. A repercussão foi tanta, com críticas das mais diversas, que o presidente da agremiação afastou a componente. A segunda porta-bandeira, que era a responsável pela guarda do pavilhão, alegou que precisou ir ao banheiro e pediu à passista que tomasse conta da bandeira, e que se estivesse presente no momento não permitiria tal situação. Toda esta polêmica nos remete às duas últimas colunas em que comentei sobre a arte do mestre-sala e as baterias das escolas de samba que, embora atualmente  sejam quesitos de julgamento, têm por trás toda uma tradição que remete às origens dessas entidades. A bandeira é um símbolo sagrado de uma agremiação e é uma referência aos estandartes dos tempos dos concumbis, ranchos e cordões, ainda no final do século XIX e início do século XX, quando...
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