Bullying na adolescência e suas causas

Uma prática que parece inofensiva pode causar sérios problemas na vida de quem sofre com as agressões


Um dos vilões da adolescência sem dúvida é o bullying. A prática é caracterizada por atos de violência, física ou psicológica, intencional ou repetido, praticado por um indivíduo ou um grupo. Segundo uma pesquisa realizada pelo IBGE no primeiro semestre de 2013, essa ação envolve quase 30% dos estudantes brasileiros. E a grande maioria é formada por agressores e não por quem sofre a violência.  Para a psicóloga Luciana Cosenza, o bullying tem um efeito desastroso na vida do adolescente. “Esta é uma fase da vida em que a aceitação social tem um papel fundamental e o bullying vem contrariando isso.”, explica.

A psicóloga Luciana diz ainda que os casos mais comuns são de agressões verbais, moral, psicológica (como chantagens e manipulações) e virtual (praticados pela internet). O bullying geralmente ocorre dentro das escolas, mas pode acontecer em qualquer contexto social, como na vizinhança e dentro da própria família. O autor do bullying, o agressor, geralmente são adolescentes que querem ser mais populares e obter uma boa imagem de si.

A vítima geralmente são pessoas mais frágeis, físicas e emocionalmente. Pessoas tímidas e com dificuldade de entrosamento social são os maiores alvos do bullying. São constantemente ameaçadas, isoladas, ofendidas discriminadas e ainda tem seus objetos roubados ou quebrados. E a reação a esses tipos de agressões é quase nula.

Marcielle Guimarães, estudante, disse que já sofreu muitos ataques na escola. “As meninas me humilhavam verbalmente de todas as formas possíveis.”, diz. Segundo Marcielle, as agressões aconteciam por suas notas serem boas. Mariana Enoque, publicitária, diz que na época da escola sofreu com o bullying. “Já sofri dois tipos. Um por causa do tamanho do meu pé, sendo que não sou tão alta. E outro porque era gordinha quando mais nova.”, comenta. Já a estudante Júlia Fernandes sofreu agressões em função do cabelo. “Na escola eu vivia com o cabelo preso, mas as meninas sempre colocavam apelidos em mim. Até que comecei a escová-lo”, conta.

No entanto, existem adolescentes que nunca sofreram com as agressões. Giselle Grazielle, estudante, tem sigmatismo, mais conhecido como língua presa, e diz que nunca sofreu bullying por isso. “Sempre tem algumas piadinhas quando as pessoas notam, mas nunca passou de brincadeira.”, afirma. Carlos Costa, também estudante, afirma que nunca passou por nenhum tipo de agressão na escola.

Como perceber o adolescente que sofre com o bullying?

Na maioria dos casos de bullying a vítima quase nunca procura ajuda. O medo costuma ser maior do que a vontade de ser ajudado. Mas, se a vítima não procura ajuda, como notar que ela sofre?  “O comportamento da vítima de bullying muda. Em primeiro lugar passando a evitar o ambiente que lhe é hostil.”, diz a psicóloga Luciana Cosenza. A profissional também diz que a vítima pode apresentar sinais de depressão, retraimento social e baixa autoestima.

Segundo a pesquisa realizada pelo IBGE no primeiro semestre deste ano, uma das maiores consequências dessa violência é a psicológica, levando ao descontentamento com a própria imagem. O IBGE destaca que um terço das meninas que foram entrevistadas estava tentando emagrecer, pois se achavam gordas ou muito gordas. Em contrapartida, a prioridade entre os meninos era a de ganhar peso.

Muitos são os traumas causados por essas agressões. Marcielle diz que não consegue falar em público. “Sempre me diminuo.”, comenta. Júlia conta que não fica com o cabelo molhado perto das pessoas. “Sei que vão falar e eu não vou gostar.”, afirma. No entanto, Mariana fala que não teve nenhum trauma. “Me aceito do jeito que sou. Hoje sou magra e aceitei o meu pé”, comenta sorrindo.

As entrevistadas não precisaram de acompanhamento psicológico, pois o diálogo em casa as ajudou. Mas, há adolescentes que precisam de um acompanhamento, principalmente quando se fecham demais. “O tratamento depende dos efeitos gerados pelo bullying na vítima.”, diz Luciana. Ela ainda diz que não pode afirmar se será demorado ou não, dependendo da reação de cada um. Segundo o artigo da psicóloga Marisa Morais, o tratamento ajuda a vítima das agressões de bullying a se fortalecer emocionalmente, ensinando a se defenderem dos constantes ataques.

Crédito: Gráfico da pesquisa realizada pelo IBGE.

Por

paola.patricio@oestadorj.com.br

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