Vida na melhor idade pode ser intensa

Com maior longevidade, participação dos idosos vêm crescendo na sociedade e mostra que a vida continua na “melhor idade”

Print page

Quando um país está envelhecendo é sinal de que a expectativa de vida está melhorando. No Brasil, atualmente o número de idosos com mais de 65 anos passa dos 20 milhões, segundo os últimos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2011. A projeção é que em 2050 esse número alcance os 60 milhões. Mas, como essa população leva a vida?

Esta é uma questão que pode gerar curiosidade, afinal, de certo modo, a sociedade enxerga que nesta fase da vida as pessoas já não têm mais o que fazer ou conquistar e que até “perdem o direito” de fazer determinadas atividades, pois são exclusivas da juventude. Os idosos do século XXI em nada lembram os do passado. Eles aprenderam a usar as redes sociais e a lidar com as novas tecnologias. A participação deste público nas redes sociais aumentou consideravelmente.  Em 2006 era 1% e em 2013 foi de 43%, segundo pesquisa feita pelo Pew Institute.

Os idosos usam as redes sociais para resgatar contato com amigos e familiares, mas também aproveitam para relacionamentos amorosos. Segundo Eduardo Borges, diretor do AshleyMadison, maior site de relacionamentos extraconjugais do mundo, há uma participação considerável desse publico no site. “A maioria dos usuários do site se cadastra com a intenção de ter um encontro amoroso com outras pessoas, mas 9% deles estão lá apenas para conversar. No entanto, percebemos que, desses últimos, uma parcela muda de ideia no meio do caminho, e acaba marcando encontros com o ‘novo amigo virtual’”, explica.

A vida sexual deve continuar

Um dos maiores tabus nesta idade é o sexo. Muitos idosos desistem da vida sexual pelas dificuldades enfrentadas em decorrência da diminuição dos hormônios e por muitos acharem que a atividade sexual não faz parte dessa etapa da vida. A própria sociedade tem um certo preconceito com esse tema, embora livros, novelas e filmes apostem no tema e mostrem casais na terceira idade em cenas românticas.

Segundo psicóloga, sexo na maturidade é mais afetivo. Foto: Jupiterimages/Polka Dot/Thinkstock

Segundo psicóloga, sexo na maturidade é mais afetivo. Foto: Jupiterimages/Polka Dot/Thinkstock

“Recebemos uma educação religiosa muito rígida e mesmo com toda evolução, muitos de nossos idosos ainda enxergam a sexualidade como forma de reprodução, casaram-se em uma época que favoreceu manter casamentos mesmo sem afeto e sexualidade, sendo mais uma obrigação do que momento de prazer, é o que explica a psicóloga clínica Luciana Kotaka. Segundo ela, é preciso um resgate do que é natural, pois sexo faz parte da vida das pessoas e elas só precisam se autorizar a viver mais plenamente esse momento.

A falta de interesse sexual após os 60 anos está ligada, principalmente, às quedas hormonais, como da testosterona – o hormônio da libido – e a perda de ereção nos homens, assim como a ingestão de medicamentos para tratamento de algumas doenças como diabetes, podem inibir o desejo sexual. Mary Scabora, psicóloga clínica, ressalta que fatores emocionais ligados a estresse, ansiedade ou depressão também dificultam o sexo na terceira idade, mas ela defende que a visão do sexo nessa fase da vida tem de ser mudada.

“Na maturidade, o sexo é cada vez mais afetivo. É preciso mudar a visão médica do sexo calcado no coito. Existem outras práticas sexuais que também são muito prazerosas. Sexualidade e relação sexual são coisas diferentes. A sexualidade tem a ver com intimidade e sentimentos. A prática da atividade sexual é importante também para os idosos além de ser extremamente benéfica para a saúde física promove mais qualidade emocional”, explica a psicóloga Mary Scabora.

Mantenha-se ativo

A chegada da melhor idade não é motivo para preguiça. Esta é a fase em que é preciso ter mais atenção com a saúde, pois muitas doenças podem debilitar e os exercícios físicos são grandes aliados para manter uma boa saúde. Muitos exercícios podem ser adaptados para este grupo, segundo a especialista em biomecânica pela FMU, Talita Germano. Exercícios utilizados no futebol como chutar e andar conduzindo a bola leva o indivíduo a um ganho de coordenação motora e força muscular. Ela destaca que até o sleckline, que é um malabarismo em cima de uma corda bamba, pode ser aplicado aos idosos com as adaptações necessárias.

Como nessa fase algumas doenças prejudicam a coordenação motora, exercícios feitos na água são ótimos aliados para o tratamento de problemas como a osteoporose. “Atividades feitas em piscina aquecida são de extrema validade, principalmente para os que sofrem de dores nas articulações. Além de minimizar a dor, a água diminui o peso corporal e o impacto no quadril, joelhos e calcanhares, muito importante para quem tem osteoporose grave”, complementa a especialista.

Cheguei na terceira idade e agora?

A chegada da terceira idade, mais do que nunca, não é motivo para se excluir do mundo. A imagem de velhinhos frágeis que se transformam em estorvo para as famílias mudou. Muitos idosos, inclusive, participam ativamente da renda familiar, em média 53% das despesas de lares com idosos são arcados por eles. Eles também estudam, fazem excursões, enfim, fazem o que podem para se sentirem úteis.

Lourdes Gomes, 78, coordena uma feira de artesanato no Rio de Janeiro em que só idosos participam e diz que todos se sentem mais úteis tendo algo para se dedicar. “A pior coisa, quando se chega a certa idade, é depender dos outros. Na feira cada um chega, monta sua barraca e vende seus produtos de forma independente, tudo na maior disposição. Nunca vi ninguém faltar”, enfatiza Lourdes.

Por

contato@oestadorj.com.br

Webjornal O Estado RJ > No ar desde 28/05/2007 > Promovemos o Projeto Futuro Jornalista.

Comentários estão fechados.