‘Carrie – A Estranha’ de volta aos cinemas

Nova adaptação do primeiro sucesso literário de Stephen King é mais drama que terror. Há também muitas semelhanças nos roteiros de 1976 e 2013

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Fotos: Divulgação

A aposta da diretora Kimberly Peirce, conhecida pelo drama ‘Meninos não Choram’, foi não exagerar nas cenas de terror e focar nos dramas dos personagens ao dirigir a nova adaptação de ‘Carrie – A Estranha’. Em especial, centrar no relacionamento complicado entre mãe e filha, Margaret e Carrie White.

A nova adaptação para o cinema do livro ‘Carrie – A Estranha’ de Stephen King, considerado o gênio do terror, desde o filme de 1976 de Brian De Palma que não tem atenção da crítica, pois teve vários telefilmes e “continuações” que não impressionaram; mas que na versão 2013 tem como protagonista a jovem e promissora atriz Chloë Grace Moretz, além da talentosa Julianne Moore como a mãe fanática religiosa de Carrie.

Lançando com êxito no mercado americano, o novo filme ‘Carrie – A Estranha’ chegou no início de dezembro aos cinemas brasileiros , com grande expectativa de fãs e crítica.

Tanto o livro quanto o filme de Brian De Palma são da década de 1970 e ambos são considerados clássicos do terror. Porém como analisou o crítico, dublador e ator André Rossi, mesmo sendo um ótimo filme atualmente com tantas histórias de heróis e vilões super poderosos, Carrie não assusta tanto quanto na época de seu lançamento.

Mesma história, mas uma nova visão

O novo filme sobre Carrie ainda é um excelente drama sobrenatural, com doses de terror, como analisou a crítica Narda S. Gracine, que achou que a diretora soube dosar bem ambos os gêneros recontando a história sem deturpar a essência do livro de Stephen King.

Com uma narrativa com foco em um jovem com poderes paranormais, que são ativados por emoções extremas, o filme mostra não só a falta de conhecimento da personagem sobre o assunto, mas também a busca dela em entender seu dom, o qual deseja controlar.

Além de ótimos efeitos visuais e grande fidelidade a história original, a nova visão de Carrie é emocionante tanto quanto dramática. Mesmo que o livro tenha fama de puro terror ao ponto de no passado ter sido banidos de várias escolas norte-americanas, atualmente a história se encaixa melhor como um drama sobrenatural e um excelente livro para estar na lista de leitura muitos jovens.

Também é uma das primeiras histórias a abordar um tema muito debatido hoje, o bullying, sendo um crítica pesada a quem pratica tal tipo de agressão, além de referência aos que sofrem ou sofreram ele, pois provavelmente muitos já pensam que todos os valentões e pessoas que curte praticar bullying de qualquer espécie, mereciam uma Carrie na vida deles.

De acordo com a professora Luciana Mattos, fã do livro de Stephen King, trata-se de uma ótima história que em sua opinião não tem como ser bem adaptada, seja para o cinema ou TV, por isso ela evita ver qualquer adaptação.

Isso porque entre algumas das peculiaridades do livro, está a tentativa do autor de criar uma história como se fosse um fato real. Para dar essa falsa ideia de realidade, Stephen King inclusive criou documentos ficcionais, como notícias e outras transcrições, para seu livro com o objetivo de dar mais realismo aos acontecimentos.

Por causa do lançamento do novo filme, a editora brasileira do grupo Objetiva, Suma de Letras, lançou uma nova edição de ‘Carrie – A Estranha’, com a capa inspirada no novo filme.

Vale destacar que o novo filme também foi escrito por Lawrence D. Cohen, o responsável pelo roteiro de ‘Carrie – A Estranha’ de 1976, mas que nessa nova adaptação o assina junto com Roberto Aguirre-Sacasa, os quais criaram uma história que mantém todos os elementos principais da original, mas a ambientando nos tempos atuais, mostrando uma Carrie atualizada em relação a história de Stephen King que se passe na década de 1970.

Por isso o publico é apresentado a uma Carrie que mesmo com a criação opressiva da mãe fanática religiosa, deseja aprender e experimentar.  No entanto, a história da jovem junto de sua mãe também emociona o público em dados momentos, pois o drama delas tem maior destaque nessa versão, do que teve no filme de 1976 com foco no terror.

O público verá algumas semelhanças nos roteiros de 1976 e 2013, mas também muitas diferenças, que no caso da nova adaptação, enriqueceu a história da mãe religiosa fanática, que mesmo que pense que a filha é fruto do pecado, tenta amá-la e protegê-la do mundo.

Por

anny.lucard@oestadorj.com.br

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