Fantasia realista se destaca na literatura fantástica

Bibliotecária e pesquisadora de História usa seu conhecimento para criar literatura fantástica com doses de realismo

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Fotos: Divulgação

A autora Ana Lúcia Merege é um dos destaques atuais da literatura fantástica brasileira atual por mesclar conteúdo históricos e pesquisas sobre lendas, a pura fantasia.

Criando um fantástico universo ficcional, a bibliotecária e pesquisadora, escreve histórias que conseguem inspirar leitores a fazer as próprias pesquisas, em busca do que é real e o que é fantasia em suas obras.

Em entrevista exclusiva ao jornal O Estado RJ, Ana Lúcia Merege fala de seu universo ficcional e processo criativo.

O Estado RJ: Você escreve literatura fantástica com doses de conteúdo histórico, como trabalha a ficção e as pesquisas históricas em seus livros?
Ana Lúcia Merege: Eu sempre gostei de história antiga e medieval, bem como de mitologia, contos de fadas, literaturas antigas. Sempre usei bastante dessa bagagem para criar meus universos ficcionais (Athelgard não é o único) ou para ambientar as histórias quando se trata do mundo real. Quando vou mergulhar num cenário diferente eu costumo fazer uma pesquisa básica, recordar o que já sabia, ver imagens que me inspirem e se possível fazer viagens que me levem a lugares próximos ou parecidos com aqueles que eu quero descrever. A pesquisa é fundamental para que haja verossimilhança e coerência, mesmo em ficção, mesmo em mundos criados pelo autor.

OERJ: A série de livros de sua personagem Anna ganhou um novo livro, tem previsão de quantos serão ao todo?
ALM: A trilogia que tem como pano de fundo o desenrolar do relacionamento entre Anna e Kieran está encerrada. Isso não impede que os personagens apareçam em outros livros, mas não serão protagonistas a não ser em caso de mais alguma prequel, como Anna em ‘Anna e a Trilha Secreta’, que conta as aventuras dela aos 12 anos, com sua tribo. Tenho pelo menos mais três livros planejados em torno do pessoal do Castelo das Águias, mas se considerar toda Athelgard… a lista não acaba!

OERJ: Conte um pouco da Anna e suas aventuras lançadas pela editora Draco?
ALM: Anna é uma mestra de sagas, uma contadora de histórias que trabalha na Escola de Artes Mágicas. É uma Escola de Magia bem diferente de Hogwarts, pois se aprende Magia através da Arte. Ela tem sangue de elfo e veio de uma floresta; o livro ‘O Castelo das Águias’ mostra seu primeiro contato com uma cidade dos humanos, ‘A Ilha dos Ossos’ é uma aventura com piratas e em ‘A Fonte Âmbar’ ela vai tratar de uma questão no Conselho de outra cidade, como embaixatriz. É também quando seu casamento com Kieran chega a um momento delicado. Anna é uma moça decidida, mas resolve tudo com diálogo e, às vezes, com um pouco de esperteza. Dificilmente ela briga. Como, no primeiro livro, se apaixonou e ficou meio romântica, há leitores que não gostam dela, mas muitos perceberam que sua postura era a mais natural pela idade e pela situação. E ela cresce muito ao longo da saga, fica mais madura e determinada. É um personagem de que gosto muito e, de todos, o que mais se parece comigo.

OERJ: Você também escreve sobre outros temas. Conte-nos um pouco mais sobre suas outras obras.
ALM: Sou autora de ‘O Caçador’, da Franco Editora, que conta o que aconteceu com o Caçador da Branca de Neve depois de ter ido falar com a Rainha Má; de ‘Pão e Arte’, da Zit, sobre um menino saltimbanco; e de vários contos entre os quais se destacam ‘Rosas’, na revista Trasgo n. 2, ‘Filha da Neve e os Sete Ninjas’, da coletânea ‘Samurais X Ninjas’, e ‘Os Pilares de Melkart’, da coletânea ‘Piratas’. Estou escrevendo outros contos sobre os protagonistas desse último, Balthazar e Lísias, que vivem no antigo Mediterrâneo. Um deles deve sair logo em e-book. Também sou autora do teórico ‘Os Contos de Fadas: origens, história e permanência no mundo moderno’, da Ed. Claridade.

OERJ: Você também é uma organizadora de contos para a Draco, como é o trabalho?
ALM: Há uma diferença entre coletâneas abertas a submissão, como a vitoriosa ‘Excalibur’, e as que são feitas com autores convidados, como ‘Medieval’, lançada na Bienal do Livro e onde divido a organização com Eduardo Kasse. No primeiro caso é importante ler cada conto e fazer uma pré-seleção para depois, entre os melhores e que atendem ao que pedimos, escolher os que irão compor um livro harmonioso. No segundo, é legal combinar algumas premissas com os autores – em ‘Medieval’, por exemplo, pedimos que todos dissessem com qual época e localidade iriam trabalhar, e discutimos opções com alguns. Assim garantimos que não iríamos acabar com nove contos sobre a mesma temática ou passados no mesmo lugar.
Em ambos os casos, a segunda parte do trabalho é a preparação cuidadosa do texto, respeitando o estilo do autor mas propondo alterações que tornem a escrita mais fluida. No caso da Draco ajudo meu editor no trabalho gráfico, fornecendo ideias e imagens de referência. Por fim, é preciso batalhar pela divulgação, resenhas e tudo mais. É um trabalho grande, que me deixa cheia de expectativa, mas é muitíssimo gratificante!

Por

anny.lucard@oestadorj.com.br

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