Quem conta um conto, aumenta um ponto

A multiplataforma inova a velha arte dos contadores de histórias

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A ideia base da multiplataforma já existia, surgida há tempos atrás, quando as histórias orais passaram a ter versões escritas, na forma de livros, e interpretadas, no teatro. Já a multiplataforma, como conhecemos, surge na sociedade atual, por causa do consumo acelerado de novidades, informação e entretenimento, que obriga os profissionais a fugir do tradicional adaptar e repetir em diversos meios.O melhor exemplo de uma história contada em multiplataforma é a franquia ‘Resident Evil’, que começou a contar sua história em um game e seguiu para outras mídias.

Geralmente com foco em um determinado personagem ou situação, criando assim um universo ficcional rico e amplo, com fãs de diversos tipos. A autora Vivianne Fair, adepta do trabalho em multiplataforma, fala que no caso de suas histórias, há quem prefira só os contos, os que gostam das tirinhas, que curtem ouvir os audiocontos e aqueles que só acompanham os livros de ‘A Caçadora’ e ‘O Caçado’. Séries de livros, como as que deram origem a ‘True Blood’ e ‘Games Of Thornes’, devem a multiplataforma o sucesso, pois ganharam o mundo ao recontarem suas histórias na TV.

Já no Brasil, ainda não há muitos que acreditam na multiplataforma, mas alguns se inspiram com o trabalho dos colegas no estrangeiro. “Adoro dar vida aos personagens e ainda mais fazendo algo que sempre havia sonhado em fazer: dublagem”, comenta Vivianne Fair, quanto aos audiocontos de Jessi e Zack, onde dubla sua caçadora.

Não é uma adaptação, é uma nova visão da história

Vivianne Fair, além de escritora e desenhista, também é uma fã de várias histórias em multiplataforma, por isso sabe bem quais as vantagens e desvantagens do trabalho.Ela comenta: “hoje em dia as pessoas estão saturadas de coisas repetitivas e só tem destaque quem mostra algo novo. Gosto de tentar de tudo, então para mim as vantagens são inúmeras, pois amo tudo que faço.”Enquanto Vivianne Fair gosta de trabalhar diretamente em cada meio, Rafael Pombo, criador de ‘Elementais’, acha interessante ter outros envolvidos com sua história, porque é saudável trabalhar o desapego do que cria, o que permite que a história ganhe outros formatos com diferentes visões, pois nem sempre o autor trabalha no projeto. “Se desejarem meu envolvimento, estarei disposto, mas não é necessário”, comenta, admitindo que seria legal participar.

A autora Nazarethe Fonseca sabe exatamente o que é isso. Ela teve personagens de seus livros ganhando vida na websérie ‘Alma e Sangue’. e comenta o evento:“escrevi o argumento e o diretor Caio Cobra fez o roteiro. Foi muito interessante o resultado. Dividiu opiniões, e tenho certeza que foi algo inovador.”Opiniões divididas é uma das características comuns das histórias em multiplataforma. No entanto, na opinião do editor da Aleph, Adriano Fromer Piazzi, que publica a série de livros ‘Alma e Sangue’, mesmo com as diversas vantagens, a maior desvantagem é sempre o fã que não gosta de multiplataforma.

“Fãs devem ser levados muito em consideração”, afirma Adriano Fromer Piazzi. “Temos que entender o que eles querem e respeitar suas idiossincrasias. Mas, óbvio, como tudo no mundo, é impossível agradar a todos.”Mariana Travieso Bassi, da área de comunicação e marketing da editora Oráculo, que publica ‘Elementais’, acha o movimento muito interessante, no qual a expansão do conhecimento e a “experiência do leitor com a obra e seus derivados; aumenta-se também as possibilidades de contato com o público potencial”.

No entanto, o autor Rafael Pombo destaca uma grande vantagem junto aos fãs, pegando como exemplo os filmes de ‘Resident Evil’, o estímulo à curiosidade; no caso da franquia acerca dos games nos quais se originaram. Sem levar em conta a questão de ser melhor ou pior, pois não é uma obra única, fechada e linear, como um romance.A multiplataforma “possibilita desdobramentos variados, ou uma franquia que abarca diversas mídias. Tudo é uma questão de intenção e receptividade do público. No fim, o melhor é o que alcança os objetivos pretendidos”, comenta o autor.

O importante para ter um projeto multiplataforma de sucesso, trabalhando ou não junto com os autores, é fazer um bom trabalho e saber que não irá agradar a todos. Porém, é sempre interessante divulgar entre os fãs do que se trata exatamente essa forma inovadora de contar história, para evitar frustrações desnecessárias.

 

Por

anny.lucard@oestadorj.com.br

2 comentários

  1. Adorei a matéria, muito boa.Beijos mordidos!

  2. Reportagem muito bem feita e bem completa! Jornalista maravilhosa e competente!