Quem vê capa…A importância dela nos livros

A arte de ser um capista mostra que a capa diz muito de um livro

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rafaelvictor

Fotos: Divulgação

Todos já ouviram que quem vê capa não vê conteúdo, mas diferente do que se pensa, as capas livros devem dizer algo quanto ao conteúdo dos livros e não ser só uma imagem bonita.

No entanto, só depois dos livros da série literária ‘Harry Potter’ ganharem o mundo que despertou em algumas editoras do Brasil, uma real preocupação com a qualidade das capas de suas publicações.

Percebendo que investir em bons capistas, pode significar maior venda, várias editoras brasileiras passaram a investir em capas bem elaboradas como foi o caso das capas da trilogia ‘A Caçadora’, da autora Vivianne Fair que na nova edição publicada pela Draco, ganhou um novo visual, mas sem perder a essência das primeiras edições. Porém, há capas feitas para “seduzir” o leitor, como foi o caso do mais novo livro da autora, ‘A Rainha Sombria’, que a face da personagem título chama a atenção, sendo um convite a conhecer tão bela e misteriosa figura.

Buscando saber mais sobre o trabalho, o jornal O Estado RJ fez um entrevista exclusiva com um capista brasileiro, veterano no ramo, que conta com diversos trabalho em editoras das mais variadas, Rafael Victor.

O Estado RJ: Há quem diga para não julgar livro pela capa. Qual sua opinião a respeito?
Rafael Victor: Metaforicamente, a expressão se refere a não julgar as pessoas apenas pela aparência, o que eu concordo. Agora quando pensamos literalmente, a função da capa é justamente esta.
Neste sentido, a função do capista é de extrema responsabilidade, pois cabe a ele o dever de compreender, analisar e sintetizar em uma capa o que aquele livro representa e despertar no leitor o desejo de consumo através dessa capa.

OERJ: Você já fez capas das mais variadas, como desenvolve elas para cada tipo de publicação?
RV: As publicações são variadas, mas o processo de criação não muda muito. Basicamente, o cliente me passa as informações referentes ao livro (tema do livro, resumo da historia, para que público é o livro…) e com base nestas informações eu começo um processo de pesquisa para entender melhor o universo que esse livro habita e encontrar os elementos que eu vou usar para montar essa capa.
Com as referências separadas, começo a fazer estudos de capa esboçados num papel para sentir como distribuir os elementos da capa. Qual o tamanho e peso necessário para o título, para as imagens e outras informações. E depois, no computador, eu monto umas ideias para ver o que funciona e envio até três opções para o cliente aprovar. Depois, podem vir alguns ajustes até chegarmos ao resultado final.

OERJ: Seu trabalho é feito apenas com as editoras ou também envolve os autores?
RV: Depende… Tem editora que prefere envolver o autor no processo por entender que ele é quem conhece melhor o produto, tem editora que prefere decidir sobre a aprovação, pois entende melhor como e para quem vender esse produto, tem projetos em que o autor é o cliente e tem as capas de coletânea em que ainda nem tem autores. Cada um destes processos tem seus desafios e o seu valor. Mas o importante é conseguir chegar no melhor resultado para traduzir a ideia do livro pro leitor.

OERJ: Tem algum trabalho favorito?
RV: Eu gosto muito é do processo. Tem capas que eu gosto porque a execução ficou bem próxima do que eu planejei, e outras eu gosto porque no processo, acontecem mudanças de rumo e o resultado final acaba bem diferente da proposta inicial. O designer cria na limitação, e às vezes, o desafio de fazer acontecer quando falta informação, falta inspiração, falta tempo… é o que torna o trabalho instigante.

OERJ: Pode falar de trabalhos recentes?
RV: Eu acabei de entregar 11 capas de coletâneas que foram desenvolvidas tendo como base um tema, um título e uma sinopse, e a partir disso, desenvolvo imagens que envolvam a pessoa no universo de cada tema. Este é um processo bem interessante porque ele difere dos outros trabalhos na relação entre embalagem e conteúdo. Como eu disse antes, o trabalho do capista é mostrar ao leitor de que aquele livro vale a pena ser lido. Mas neste caso, além disso, a primeira função da capa passa a ser a de atrair e motivar os autores a produzir conteúdo, pois o livro ainda não existe.

Por

anny.lucard@oestadorj.com.br

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