O café mais caro do mundo é feito a partir das fezes do mamífero civetas

O Brasil não tem civetas, mas oferece seu similar nacional, Numa fazenda em Espírito Santos, se produz um café com grãos eliminados por jacus, ave típica da região

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Segundo maior exportador de café do mundo, o Vietnã concorre com o Brasil no mercado internacional, mas a maior parte de sua produção é usada para alimentar a demanda por marcas genéricas de café instantâneo.

Porém, o país do Sudeste asiático tem poucos rivais no que diz respeito ao caráter exótico de uma de suas variedades: é de lá que vem o Kopi Luwak, nome dado a um café produzido a partir de grãos defecados pelas civetas, um mamífero noturno que é parente da raposa e habita as florestas tropicais africanas e asiáticas.

Um quilo do Kopi Luwak pode custar pelo menos US$ 400 (R$ 1,4 mil) no mercado americano e, em cafeterias mais requintadas, uma simples xícara pode sair por US$ 30 (R$ 100). Não por acaso, o produto volta e meia é descrito como o café mais caro do mundo.

Mas qual é a razão de um preço tão salgado?

Trata-se de uma combinação entre exotismo e forças de mercado. Para produzir o café é preciso encontrar as sementes “descartadas” pelas civetas, que se alimentam do fruto, mas digerem apenas a polpa – a semente passa intacta pelo sistema digestivo do animal.

Enzimas

Especialistas afirmam que a ação de enzimas e bactérias no organismo dos mamíferos torna o sabor do café diferenciado – seria uma mistura de “chocolate e suco de uva”, descrita como menos ácida e amarga que café comuns.

Mais impressionante ainda é que as civetas são conhecedoras do produto: elas escolhem os frutos de melhor qualidade para comer.

Mas o fator principal para o preço salgado é que, ao contrário de variações mais comuns, o Kopi Luwak tem produção para lá de limitada de grãos – menos de 230 kg por ano.

Para complicar, o crescimento urbano desordenado no Vietnã tem causado desmatamento, levando à destruição do habitat das civetas.

A demanda vinda de paladares mais delicados e voluntariosos, no entanto, provocou transformações na produção do Kopi Luwak.

O método tradicional de coleta dos grãos deu lugar a um sistema de produção intensiva, com animais trancados em jaulas – algo semelhante ao que se passa com galinhas poedeiras.

Em 2013, uma investigação na ilha de Sumatra, outro centro produtor do Kopi Luwak, encontrou evidências de crueldade animal em fazendas da região.

Diversos hotéis de luxo da Ásia tiraram o produto de seus cardápios por causa de pressão de ONGs de defesa dos direitos animais.

Isso, porém, não impediu que o café ganhasse o imaginário popular. Ele apareceu até em filmes de Holywood e seriados americanos, ainda que invariavelmente fazendo graça com o método pouco ortodoxo de extração.

O Brasil não tem civetas, mas oferece seu similar nacional: no município capixaba de Domingos Martins, a Fazenda Camocim produz um café com grãos eliminados por jacus, uma ave típica da região. E cuja propaganda diz que as aves sabem escolher os melhores grãos.

Da BBC

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