É grave a crise no samba

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Quem acompanha este espaço, sabe que há algum tempo venho abordando a crise que atinge as escolas de samba do Rio de Janeiro. Esta semana, a crise se aprofundou com a declaração do prefeito Marcelo Crivela de que vai reduzir a verba de subvenção dos desfiles de carnaval em 50 por cento. Ele alega que o dinheiro economizado será investido em creches.

Com isso, cada agremiação do grupo especial que recebeu este ano R$2 milhões, receberá R$ 1 milhão para 2018. A reação foi imediata, com repercussão na mídia e nas redes sociais. Pessoas se manifestando contra e a favor da medida. No dia seguinte, em reunião realizada na Liga das Escolas de Samba, as agremiações emitiram uma nota oficial na qual argumentam que com esta redução não terão condições de se prepararem e ameaçam não desfilar no próximo Carnaval.

Pelo lado das escolas, elas alegam que o Carnaval traz lucro para a cidade com o aumento do faturamento de bares, restaurantes, a ocupação de hotéis e a arrecadação de impostos por parte do município. Além disso, argumentam com a geração de milhares de empregos não somente nesses setores, mas diretamente na cadeia econômica do Carnaval, com costureiras, pintores, aderecistas, ajudantes, entre outras ocupações. Segundo a Riotur, empresa municipal responsável pelo setor de Turismo, o período de Carnaval movimentou este ano cerca de R$ 3 bilhões na cidade.

Por outro lado, o prefeito argumenta que o país vive uma situação de crise, a cidade também sofreu uma queda na arrecadação e por isso é obrigado a fazer ajustes orçamentários. Para ele, as escolas de samba e o Carnaval também precisam se adaptar a esta nova realidade. A Secretária de Cultura, Nilcemar Nogueira propõe, inclusive, que as escolas diminuam gastos com carros alegóricos e comissão de frente, por exemplo.

Políticos de oposição ao prefeito e vários sambistas dizem que esta medida faz parte de uma posição ideológica e dogmática, já que Crivela é evangélico, membro da Igreja Universal e é contra a festa do Carnaval. Lembram, inclusive, que este ano o prefeito não compareceu à tradicional cerimônia de entrega das chaves da cidade ao Rei Momo, que sempre é feita pelo ocupante do cargo máximo do município.

Enfim, aguardemos os próximos capítulos para saber até onde vai essa crise. As escolas de samba sustentarão a decisão de não desfilarem? O prefeito vai ceder à pressão e recuar? Vamos aguardar e voltar ao tema na próxima semana.

Por

amilton.cordeiro@oestadorj.com.br

Jornalista, pesquisador de samba e compositor.

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