Mundo adulto marcado pela infância

Comportamento da criança segue até a vida adulta, ou pode ser modificado? Inúmeros fatores influenciam o percurso do ser humano em meio à sociedade

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A trajetória de nossas vidas é marcada por nossas escolhas, mas o comportamento de um adulto pode ser marcado por lembranças felizes ou traumas de infância. A sociedade também influencia bastante em como o indivíduo irá agir e pensar, pois os indivíduos que permitem ultrapassar os desafios mundanos, se tornam mais fortes. Outro ponto que não pode ser esquecido quando se trata do comportamento de um adulto é a educação que ele recebeu.

A capacidade e a motivação para responder de maneira adulta às várias circunstâncias é uma importante tarefa no desenvolvimento adulto. Uma resposta madura implica que tenham sido vencidas as tendências infantis e adolescentes. A procura constante de apoio é uma indicação de desamparo. A irritabilidade frequente e as explosões emocionais como respostas ao desapontamento ou à frustração, são reações adolescentes. A busca constante de excitação e alegria também são sinais de infantilidade. Se um nível de adolescência se enraizar demasiado na personalidade do indivíduo, este será prejudicado, mais tarde, ao assumir as responsabilidades de um adulto.

Segundo a psicóloga Clara Magalhães, da infância até a fase adulta a vida é sempre um processo. “A base recebida na infância, como princípios, valores, afetos e relação com parentes, unida ao fator de personalidade vão influenciar diretamente nos ritos de passagem”, afirma Clara. Ainda de acordo com a doutora, hoje em dia muitos valores são arrastados e preservados na fase adulta, o que dependendo do momento da pessoa, acaba lhe prejudicando e sua vida precisa ser reconstruída e modelada.

 Consultando o passado

A hipnose é um meio de buscar no subconsciente a causa do problema de uma pessoa. Em um dos relatos de pacientes do Instituto Brasileiro de Hipnologia observa-se que a Hipnose Condicionativa, por exemplo, possibilita, em alguns casos, o bloqueio do emocional negativo (traumas e abalos emocionais vivenciados), responsável pelo desenvolvimento da “falsa auto-estima”. Após a sessão observa-se  um sentimento de tristeza, o que na realidade é um vazio interior, pois a mente consciente tenta fazer associações com os registros bloqueados e não mais encontra. Em 48 horas os sintomas desaparecem, dando espaço para a “verdadeira auto-estima” se manifestar, ocorrendo mudanças de comportamento devido ao equilíbrio emocional.

No caso da psicanálise, encontramos exemplos de traumas infantis que apenas depois de alguns anos retornam à vida do paciente. Como o exemplo da gerente de recursos humanos Maria Cristina Passos, que aos 40 anos desenvolveu uma depressão profunda, o que a afastou de seu emprego e parentes. Depois de muita consulta, Maria Cristina, conseguiu se livrar do peso que carregava em sua mente, proporcionado por uma difícil relação entre ela e seus pais.

“Foi difícil externar o que eu sentia pois além de não encontrar a resposta de cara, ainda foi difícil aceitar que eu estava perdendo o controle das minhas emoções por causa de problemas da minha infância e adolescência. A terapia me ajudou bastante, além de exercícios físicos leves como caminhada, para liberar minhas emoções”, conta a gerente.

“Hoje em dia sou uma nova mulher, retomei ao meu trabalho, mas nunca deixei a terapia. Acredito que se consultar com um psicólogo é relatar a sua vida para uma pessoa que está enxergando o seu mundo com um olhar diferente do seu, então, não vejo porquê abandonar algo que faz bem. Conversar faz muito bem, eu adoro!”, completa Maria Cristina.

À medida que o ser humano progride na vida, ele leva em sua bagagem vitórias e derrotas, sucessos e frustrações. O incontestável é que os medos e as vivências passadas não podem ser permitidas de influenciar negativamente o futuro. Um pensamento clichê de livros de autoajuda não foge da realidade, tudo é aprendizado.

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